Conexão Capivara: Quem precisa de vereador?

A esta altura do campeonato, abertas as urnas e computados os números, ninguém mais tem dúvidas de que as eleições deste ano decretaram o fim do reinado do marqueteiro político como se conhecia até então, implodiram com o politicamente correto, impuseram à televisão derrota às redes sociais e mostraram que notícias falsas (fake news) são um uma arma com poder de fogo imensurável. E extremamente perigosa.

Mas, por aqui, os números das urnas no domingo, e a defenestração dos caciques políticos de Rio Preto, serviram para mostrar também que, no ralo que escoou o modelo antigo de se fazer campanha, foi junto o mito de que apoio de vereador e prefeito é fundamental.
Pois, a partir de agora, a cotação destes cabos eleitorais de luxo devem cair muito na tabela de negociações, porque a realidade mostra que eles não valem mais quanto pesam (nas contas de campanha).

Um exemplo é a Câmara de Rio Preto, onde se travou um verdadeiro leilão em busca de apoiadores. Luiz Carlos Motta (PR) ganhou a cadeira a federal (foi o único com domicílio eleitoral na cidade, é verdade), mas sua votação está longe, muito longe, de mostrar a força do plantel invejável de apoiadores que ele conseguiu arregimentar na Casa.

Pelo menos seis vereadores assumiram apoio oficial ao sindicalista, entre os quais Fábio Marcondes (PR) e Márcia Caldas (PPS). Além deles, Branco (PR), Renato Pupo (PDS), José Carlos Marinho (PSB) e Júnior (DEM). Ainda assim, Motta arrebanhou 5.874 votos. Ou seja, na média, cada um dos valorosos parlamentares levaram menos de mil votos para o candidato que defendiam. A projeção era de 12 mil votos. Para efeito de comparação, Kim Kataguiri (DEM), que nem é daqui e não tinha nenhum vereador no seu grupo de apoiadores, levou 5.017. O que dizer então de Joice Hasselmann (PSL), que nem sabe onde ficam a Câmara e a Prefeitura de Rio Preto, muito provavelmente nunca ouviu falar em nenhum dos 17 nobres edis da cidade, e arrebanhou 17.699 votos?

Número, aliás, muito maior que o do vice-prefeito Eleuses Paiva (PSD), que tinha na retaguarda os vereadores Peixão (PSB) e Jorge Menezes (PDT), por exemplo.

E aqui entra também o prefeito Edinho Araújo (MDB), que não só fracassou no posto de cabo eleitoral de seu vice, como revelou-se um fiasco na tentativa de transferir votos para o rebento, Edinho Filho (MDB), que saiu das urnas com 15, 2 mil votos no total, dos quais apenas 10,5 mil votos dentro de Rio Preto. E Edinho tinha nada menos que três vereadores no seu time e todo o primeiro escalão do pai pedindo voto nas redes sociais.

Neste balaio onde não faltam exemplos, ilustrativo ainda o caso do deputado estadual Vaz de Lima, outro que fez um arrastão na Câmara e levou para seu palanque três vereadores: Marinho, Peixão (PSB) e Zé da Academia (DEM). Com a ajuda deles, o tucano amealhou 11.237 votos (do total de 51.520) em sua terra natal. Janaína Paschoal (PSL) mergulhou em 29.690 votos. E, como Joice, nem sabe que no caminho entre os prédios da Câmara e da Prefeitura de Rio Preto tem uma estátua de um mito local: Alberto Andaló.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta terça-feira (09)

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