Conexão Capivara: Quem está falando a verdade?

A CPI da Emurb vai colocar cara a cara nesta quarta (6), às 9h, a ex-presidente da empresa municipal Vânia Pelegrini e o gerente operacional da Área Azul, Anilto Carlos Alves. A intenção inicial da comissão era incluir na acareação o empresário Wagner Costa, pivô do escândalo da Área Azul Digital, mas este não foi encontrado para assinar a convocação.

O confronto foi a forma encontrada pelo grupo de vereadores que investiga irregularidades na Emurb – Marco Rillo (PT), Gerson Furquim (PP), Celso Peixão (PSB) e José Carlos Marinho (PSB) – para tentar descobrir quem fala a verdade sobre questionamentos cujas respostas nas oitivas individuais foram conflitantes.

Rillo, presidente da CPI, diz que existem também versões diferentes do mesmo depoente entre o que foi dito aos integrantes da sindicância interna conduzida pelo Executivo e o que foi falado à CPI. Além do mais, os três – Wagner, Vânia e Anilto – também divergem em pontos fundamentais da investigação.

Uma das duas questões consideradas mais importantes na acareação desta quarta diz respeito ao cheque de R$ 2,8 mil que teria sido dado como “adiantamento” a Wagner Costa poucos dias depois de concluída a licitação da Área Azul Digital, posteriormente cancelada por fraude. Em sua fala, Vânia disse desconhecer tal pagamento. Anilto, por sua vez, confirmou que a empresa repassou o cheque sem nota, uma vez que esta seria fornecida pelo empresário “mais para a frente”, quando o contrato já estivesse vigorando. Aqui, segundo a CPI, alguém faltou com a verdade e o objetivo é que, frente a frente, seja obtida a informação correta.

Outro nó que a CPI tenta desatar diz respeito à denúncia de Wagner ao Ministério Público sobre a existência de talões falsos de Área Azul. Outros funcionários ouvidos pela comissão também apontaram um suposto esquema, inclusive detalhando que em alguns casos o material falso era queimado nos fundos de uma casa da Emurb localizada na região central de Rio Preto.

Sobre este assunto, tanto a ex-presidente, derrubada pelo escândalo, como o gerente operacional, que é funcionário de carreira, negam a irregularidade. Sendo assim, a ausência de Wagner deverá impedir que se avance neste tema.

Relatório da sindicância feita pela prefeitura, sob a coordenação do secretário de Administração, Luís Roberto Thiesi, concluiu que o descontrole sobre os talões era tão grande que dispensava fraude. A comissão avançou em outro tema alvo da CPI, que é a troca de cheques na boca do caixa da empresa. A irregularidade ficou comprovada, o que levou ao pedido de processo administrativo contra dois funcionários responsáveis, entre os quais Anilto.

A acareação de hoje não deverá trazer mais grandes novidades para um escândalo que começou com a suspeita de favorecimento na licitação da Área Azul Digital e acabou dando luz a uma série de absurdos inimagináveis numa empresa pública. Mas pode aprofundar mais um pouco sobre a questão das responsabilidades de cada um, num processo que conta com várias frentes de investigação. E isso, quando se trata de dinheiro público, nunca é demais.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quarta-feira (06)

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