Conexão Capivara: Quem é Lula vota Haddad?

O PT enfim oficializou nesta terça-feira (11), em Curitiba, onde Lula está preso por corrupção e lavagem de dinheiro, a candidatura de Fernando Haddad à Presidência da República. Até aqui, o fato já era esperado desde que o STF barrou as aspirações do ex-presidente petista com base na Lei da Ficha Limpa.

O que move institutos de pesquisas, analistas de cenários, consultores de campanhas de aliados e adversários, mercado financeiro e todo o universo de interesses diretos em torno do jogo eleitoral é dimensionar quanto de seu capital de votos Lula consegue descarregar no ex-prefeito de São Paulo. Missão das mais difíceis num processo eleitoral imprevisível e com reviravoltas dignas de filmes de suspense.

O que se sabe é que Lula foi expulso de campo quando liderava com folga a partida, chegando a bater em 39% das intenções de votos. Sem ele, Jair Bolsonaro (PSL) assumiu a dianteira, com 24% no Datafolha divulgado nesta segunda (10).

A mesma pesquisa mostrou Haddad, até então candidato oficioso do PT, com 9%, embolado na segunda posição com Ciro Gomes (PDT) com 13%; Marina Silva (Rede) com 11% e Geraldo Alckmin (PSDB) com 10%.

Para Fábio Gomes, sociólogo, diretor do Instituto Informa de Pesquisas e autor do livro “Comunicação Dialógica e Comunicação Eleitoral”, a transferência de votos em uma campanha eleitoral depende de dois eixos fundamentais: forma e essência.
A forma, segundo ele, é a estrutura partidária, a capilaridade do candidato por meio de lideranças consolidadas em todo o território nacional e recursos financeiros. Ou seja, condições que o PT tem para oferecer a Haddad.

No eixo essência, segundo o sociólogo, entra a identidade política daquele para quem se pretende despejar o voto. Ou seja, o eleitor precisa ver no novo nome a mesma condição que via no candidato anterior de resolver suas demandas e suas motivações.

Aqui, de acordo com Fábio, Haddad também cumpre o requisito, mas sofre concorrência direta. Isso porque, para o sociólogo, Ciro, Marina e Guilherme Boulos (Psol) também têm essa identidade, ou seja, se apresentam como possíveis herdeiros do projeto defendido por Lula.

“Boulos, por exemplo, não ameaça, mas belisca votos. Isso pode criar a fragmentação do eleitorado de esquerda. A questão agora é saber com que eficiência vai chegar ao eleitor do Lula que seu ‘herdeiro’ é o Haddad”, explica.

Fábio acrescenta que a situação da transferência só vale, também, nos casos de votos consolidados em Lula. “Isso porque o eleitor que dizia votar num nome, mas admitia uma segunda opção entre as candidaturas já colocadas, vai ficar com aquela segunda alternativa quando a primeira deixar de existir.” E aí, novamente, Ciro, Marina ou Boulos se beneficiam.
Outra questão que pode dificultar a transferência de Lula a Haddad em quantidade suficiente para levá-lo ao segundo turno, e com potencial de ser explorado pelos adversários, é a memória do eleitor.

Afinal, segundo Carlos Manhanelli, presidente da ABCOP (Associação Brasileira de Consultores Políticos), “o apoio a Dilma Rousseff (PT), e a má gestão dela, pode impactar negativamente nessa transferência”. Ou seja, o Ministério da Saúde deveria advertir: esta eleição segue altamente arriscada para cardíacos…

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quarta-feira (12)

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