Conexão Capivara: Que rajada foi essa, delegado?

Que tiro foi esse, ou melhor dizendo, que rajada foi esta que colocou o delegado Renato Pupo (PSD) no olho do furacão? De onde surgiram, de forma tão surpreendente, os dez votos que tornam o vereador alvo de comissão processante com poder de cassar-lhe o mandato? E o que tem por trás desse novo confronto na Câmara de Rio Preto? Estas eram as perguntas inevitáveis nas rodas políticas nesta quarta, 14. Pupo é acusado de fazer “ameaças veladas” ao colega Anderon Branco (PR).

Duas situações, que se complementam, surgem como respostas. A primeira vem de palavras soltas do vereador Paulo Pauléra (PP) quando indagado sobre o que ocorreu na sessão desta terça, 13: “Força, política, grupo, marcação de posição.” Lideranças que desde sempre demarcam território dentro do Legislativo decidiram que era hora de mandar a quem interessar possa, incluindo o Executivo, a quantas anda a distribuição de poder na Casa. E Pauléra não é o único a movimentar as peças, embora seja o único a admitir a estratégia. O nome de Fábio Marcondes (PR), de volta ao jogo, sempre aparece, mas ele, que viajou para São Paulo ontem, não quis falar sobre o assunto.

O ranço, para usar uma palavra da moda (ou, traduzindo, a animosidade cultivada com alguns colegas), seria a motivação complementar para que se conseguisse os votos necessários contra o delegado. “Pelo que Renato já provocou na Câmara, pela atitude com os demais, não é preciso força para conseguir voto contra ele”, afirmou um dos desafetos de Pupo à coluna. Votaram contra o delegado: Fábio Marcondes (PR), Paulo Pauléra (PP), Gerson Furquim (PP), Jean Dornelas (PRB), Karina Caroline (PRB), Claudia de Giuli (PMB), Zé da Academia (DEM), Francisco Júnior (DEM), Peixão (PSB) e José Carlos Marinho (PSB).
Anderson Branco, como parte interessada, não votou. Seria mais um contra Pupo, o que lhe dá uma rejeição de 11 num universo de 17 vereadores.

Cláudia de Giuli e Zé da Academia foram os últimos a serem convencidos. Teriam se rendido aos argumentos de Pauléra, que entrou em campo para ajudar Anderson Branco a angariar o apoio necessário à ofensiva. Claudia foi a grande surpresa.

Questionada pela coluna, a vereadora se diz convicta da decisão: “Sempre apoiei todas as investigações apresentadas na Câmara e acredito que será uma oportunidade de esclarecer o ocorrido. Todos sabemos das diferenças entre os vereadores Renato Pupo e Anderson Branco. E, independente do possível alerta do vereador Renato Pupo, é notório que não teriam intimidade para tratar um assunto pessoal”, respondeu ela.

Segundo Claudia, o processo aberto é uma oportunidade que o vereador tem de explicar o fato ocorrido. Ela diz ainda que não tem intenção de votar por cassação do vereador, “desde que ele esteja correto”. São necessários 12 votos para que Pupo perca o mandato numa eventual indicação da comissão processante neste sentido.

Ainda que a votação de terça sirva como indicador de perigo, não significa que faltariam apenas dois votos para punir o vereador. Porque uma coisa é votar a favor de “investigação” e outra é bancar um discurso de cassação do colega. Ainda assim, colocaram no colo do delegado algo que roubará muito de seu tempo e energia justamente quando ele pretendia concentrar-se na busca de votos para deputado estadual. Confira abaixo o que ele fala sobre toda esta situação…

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quinta-feira (15)

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