Conexão Capivara: Quando a política vira caso de Justiça

A Justiça está se tornando o palco para os vereadores de Rio Preto dirimirem suas pendengas políticas. Após ação de indenização movida por Renato Pupo (PSD) contra Paulo Pauléra (PP), agora foi a vez de Marco Rillo (PT) entrar com interpelação judicial contra Anderson Branco (PR).

O petista alega que foi ofendido por Branco na fatídica sessão do dia 7 de novembro, quando foi aprovado o projeto do Escola Sem Partido. Na interpelação, Rillo diz que o colega tomou “caminho totalmente diverso da discussão do projeto de lei” e dedicou-se “a atacar a pessoa, o partido e o filho do requerente”. Entre as falas que desagradaram o petista está a afirmação de Branco de que Rillo “é o inimigo número um dos evangélicos”. O vereador do PR ainda disse, durante a sessão: “O senhor fez uma CPI que persegue os evangélicos e o senhor não desiste, tem quinze anos que o senhor continua perseguindo, falando mal de pastor”.

Na interpelação, o vereador petista diz que Branco o acusou de ter preconceito em relação à comunidade evangélica local, acusação esta que seria “injusta e grave, posto que desprovida de verdade”. No final do documento, há cinco questionamentos a Branco, entre eles se confirma que Rillo é perseguidor de evangélicos, quais os atos cometidos pelo petista contra a comunidade evangélica e se ele sabe os fatos concretos que levaram à criação da chamada CPI da Fé, em 2002. Dependendo das respostas do vereador do PR, o petista pode entrar com uma ação de indenização por danos morais.

O caminho seguido por Rillo é o mesmo trilhado por Renato Pupo, que em junho entrou com um processo contra Paulo Pauléra também por manifestações na tribuna. O parlamentar do PP acusou Pupo de ter mantido relações sexuais com uma menor. Ocorre que a mulher em questão tinha esquizofrenia e as investigações já haviam sido arquivadas quando Pauléra foi à tribuna acusar o colega. O vereador do PSD pede indenização de R$ 46,8 mil e o caso deve ser analisado nos próximos dias pelo juiz da Vara Cível, Paulo Marcos Vieira.

Os vereadores que se sentem ofendidos pelos colegas de Legislativo têm todo direito de buscar reparação na Justiça. Mas é preocupante que a política esteja sendo judicializada: mostra a total falta de maturidade dos parlamentares que, na falta de argumentos, usam e abusam das ofensas. Não é para isso que serve o Legislativo. Não é para isso que eles foram eleitos. O extremismo visto nas discussões do Escola Sem Partido estão impregnados na alma dos vereadores rio-pretenses. Tais atitudes só contribuem para a derrocada moral e ética de uma casa de leis – que, em Rio Preto, já não está lá essas coisas.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste sábado (25)

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