Conexão Capivara: Pronto, Edinho, pode respirar

Até parece contradição, uma vez que a proposta obteve 16 votos favoráveis e apenas um contrário na sessão desta terça-feira (7), mas foi tenso o processo que culminou na melhor notícia que o prefeito Edinho Araújo (PMDB) recebeu neste primeiro ano de administração, marcado por grandes desgastes: o aval para contrair empréstimo de R$ 203 milhões junto à Caixa Econômica Federal. Oxigênio em meio às dificuldades orçamentárias para investimentos e com a população já começando a cobrar a fatura das promessas de palanque.

A sessão exigiu prova de fidelidade dos aliados, obrigando-os a um divertido contorcionismo nos discursos a cada pedra estrategicamente colocada no caminho por um protagonista improvável, o veteraníssimo Gerson Furquim (PP), que, ao longo de mais de duas décadas na Câmara, em raros momentos se posicionou de forma tão contundente sob os holofotes, mostrando que suas diferenças com Edinho ainda estão longe de ser equacionadas.

Primeiro o pepista impôs votação para derrubar o pedido de vista de três sessões que tinha sido apresentado por Paulo Pauléra (PP). Depois, apresentou emenda, pela qual condicionava a aplicação dos recursos financiados em obras de infraestrutura de loteamentos e construção de creches. Ninguém pode negar que a intenção era nobre, certo? Em meio a estas duas cascas de banana, Marco Rillo, que já tinha conseguido adiar a votação na semana passada, apresentou nova emenda, agora obrigando o prefeito a elencar no portal da transparência os gastos realizados com os recursos financiados. Os governistas ganharam todas, mas os dois souberam capitalizar nos microfones em falas bem colocadas, ao vivo, a cores e com Casa cheia.

Obrigatório destacar o empenho do vereador Fábio Marcondes (PR) no papel de advogado informal dos interesses do Executivo, já que este se privou até o momento de indicar um líder no Legislativo. Renato Pupo (PSD) parece ter sentido a pressão depois de levar a culpa pelo insucesso da votação anterior, seguindo à risca o script de aliado incondicional.

O fato é que mais de duas horas depois de muito bate-boca e encenação, Edinho está liberado para correr ao banco. Segundo Moretti, serão gastos R$ 50 milhões em 2018, outros R$ 100 milhões em 2019 e o restante, de R$ 53 milhões, em 2020. O projeto não especifica os gastos em detalhes. Trata os setores a ser contemplados de forma genérica. Está aí, agora, um papel fundamental para o Legislativo: fiscalizar o uso do dinheiro e certificar-se de que as prioridades políticas também serão as prioridades da população.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quarta-feira (08)

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