Conexão Capivara: Professores punidos

A Secretaria de Administração decidiu pela suspensão de 63 professores que participaram de paralisação realizada em 4 de abril de 2016. No entendimento da Prefeitura de Rio Preto, a manifestação foi ilegal e prejudicou 2,7 mil alunos da rede pública municipal.

Coordenada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação Municipal (Atem), a paralisação ocorreu para pressionar a Prefeitura a reajustar os salários do funcionalismo na rede municipal de ensino e também por melhora nas condições de trabalho. A Secretaria de Administração abriu 122 processos administrativos contra os servidores que fizeram parte do movimento. Além dos 63 punidos com suspensão, outros 59 receberam advertência – sendo que 16 destes nem fazem mais parte do quadro de funcionários da Prefeitura.

De acordo com o secretário de Administração, Luís Roberto Thiesi, a pena de suspensão de um dia foi aplicada a 59 funcionários que participaram de uma doação de sangue em massa, justamente para ter o argumento de abonar no dia da paralisação. Julgamentos da Justiça Trabalhista têm considerado que fazer isso, com objetivo de greve, é abusivo.

Outros quatro casos são mais graves e serão encaminhados ao Ministério Público para apuração de possível improbidade administrativa, além de suspensão de 15 dias. Ainda de acordo com a Administração, um funcionário apresentou atestado médico, mas ainda assim participou da paralisação. Outros três, mesmo estando na manifestação ocorrida em frente ao prédio da Prefeitura, na avenida Alberto Andaló, registraram ponto para não ter o dia descontado.

No caso dos demais que receberam apenas advertência, Thiesi afirma que a pena foi aplicada porque se tratou de uma manifestação ilegal. “Foi um movimento atabalhoado. Primeiro porque a Atem não é considerada uma entidade sindical, então não pode convocar uma greve. Segundo porque, quando vai haver qualquer paralisação, é preciso que haja notificações. Muitos pais deixaram seus filhos na escola sem saber que nem teria aula, isso não pode ocorrer”, afirmou o secretário de Administração. Entre os que ficaram só na advertência está Fabiano de Jesus, um dos líderes da Atem, uma vez que ele apenas assumiu a ausência e não apresentou comprovante de doação de sangue para abonar a falta.

É claro que os suspensos e os advertidos podem recorrer na Justiça, mas tudo indica que não o farão já que as penas aplicadas foram moderadas. Do ponto de vista político, porém, é mais combustível para a Atem acusar a Prefeitura de perseguição contra os trabalhadores da educação. E la nave va.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quinta-feira (29)

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