Conexão Capivara: ‘Precisamos tirar os coronéis de sempre que gastam milhões’

Foto Guilherme BATISTA

O empresário Kawel Lotti (Podemos) teve 4 mil votos na disputa pela Prefeitura de Rio Preto em 2016, quando estreou nas urnas. Apesar da votação inexpressiva para o cargo, agora, dois anos depois, ele ambiciona uma cadeira a deputado federal.

Kawel chegou a ensaiar uma candidatura a estadual, numa possível dobrada com o deputado federal Sinval Malheiros (Podemos), de Catanduva, mas mudou de ideia. Disse que faltou sinergia com o correligionário.

Até agora, a maior parte do dinheiro destinado à sua campanha – R$ 60 mil, no total – saiu de seu próprio bolso. A projeção é gastar R$ 100 mil. Ainda assim, diz que a limitação de recursos, se comparados aos investimentos de alguns adversários, que chegam à casa do milhão, não é problema. Veja abaixo principais trechos da sabatina feita pela coluna na manhã desta sexta (28)…

Em 2016 o senhor foi candidato a prefeito de Rio Preto e teve uma votação inexpressiva. Sua candidatura a deputado federal é para valer ou um test drive para voltar às urnas em 2020?
Kawel Lotti – Em 2016 fiz uma campanha de menor expressão. Foi minha primeira candidatura. Mas a nossa candidatura a deputado federal é viável. Eu trabalho em Rio Preto e em mais de 50 municípios do Estado de São Paulo. É uma candidatura que foi pensada, avaliada e discutida. Hoje temos um modelo de política falido, fracassado. Incompetência, descaso, corrupção. Vários candidatos enrolados ainda com fixa suja buscando legitimar a sua candidatura na Justiça, o que é uma vergonha. Participei de um debate na Unorp onde estava a OAB, a Acirp, o pessoal da transparência social. E falava-se sobre as 70 medidas contra a corrupção. Eu, naquela ocasião, era o único candidato a deputado federal que aderia às medidas contra a corrupção. Então eu pergunto, será que a minha candidatura é viável ou não? Tenho visitado diariamente pessoas, comércios, negócios. E a insatisfação com a velha política e com os políticos tradicionais é enorme.

O senhor cogitou a candidatura a deputado estadual, inclusive numa dobrada com o deputado federal Sinval Malheiros, do Podemos de Catanduva. Por que a mudança? É só para somar votos à legenda no Congresso Nacional?
Kawel – Não, muito pelo contrário. A nossa candidatura é maior do que a de muitos concorrentes do nosso partido. E não é Catanduva que representa Rio Preto, é Rio Preto que representa as cidades ao redor. Então, nós precisamos ordenar as coisas e Rio Preto hoje é uma cidade maior, com hospital, infraestrutura que atende as cidades da região. Foi uma alteração estratégica e, inclusive, recomendada pelo próprio partido. E para haver dobradinha tem que haver sinergia. Por isso cada um seguiu o seu caminho.

Não houve sinergia entre o senhor e o Sinval Malheiros?
Kawel – Não. Eu acho assim: ele atua num público diferente, ele é médico, tal. Eu tenho outras referências, outros princípios e sigo com os meus projetos.

O senador Álvaro Dias, candidato à Presidência da República do seu partido, o Podemos, se apresentou como a terceira via, mas não decolou. Qual a avaliação do senhor sobre isso?
Kawel – A política não é uma ciência exata. De fato, Álvaro Dias é uma excelente opção, é o meu candidato, ele tem uma vida que o credencia para ser o melhor presidente que o nosso País poderia ter, 42 anos de vida pública, sem nenhum problema. Uma pessoa que deixou um legado muito expressivo no Estado que governou. Hoje eu defendo acabar com as regalias e privilégios dos parlamentares. O Álvaro Dias não só defende como deu exemplo, ele abriu mão da sua aposentadoria compulsória. Então, eu digo o seguinte: as palavras movem, mas o exemplo arrasta. Hoje muitos candidatos falam, mas quando você puxa a história deles é outra coisa, contradiz com aquilo que ele está falando. Não podemos avaliar só os projetos e as propostas, nós temos que avaliar o passado do candidato. É o fim da picada, para não dizer outra coisa, porque não cumpriram muitas coisas e continuam prometendo. Então uma coisa que eu coloco aqui é: avaliem o passado. Eu tenho hoje 43 anos de idade. Então, quando forem avaliar o Kawel, avaliem o empreendedor, apresentador do SBT, que tem uma história, participa da cidade.

Na sua prestação parcial de contas, tem R$ 40 mil doados pelo senhor mesmo e mais R$ 20 mil doados pelo seu partido, totalizando R$ 60 mil. Temos candidaturas aí que já receberam mais de R$ 1 milhão. Dá para competir?
Kawel – A minha candidatura deve chegar aos R$ 100 mil, com recursos próprios e de doações. O partido doou muito pouco. E agora você levanta uma discussão que eu já fazia em 2016, quando fui candidato a prefeito. É um absurdo falarmos de renovação e mudança na política enquanto o partido dá R$ 1,3 milhão para um candidato fazer santinho, pagar liderança de bairro, fazer a politicagem que a gente tem assistido no Brasil inteiro. É uma vergonha, é lamentável. Enquanto você vê, por exemplo, entidades do terceiro setor fechando as portas, postos de saúde fechando as portas e muitos vêm aqui falando que o País está em crise. Como você pode discutir crise faltando o prato de comida, o sustento da família, saúde, que é um clamor nacional, enquanto o candidato vem aqui rasgar R$ 1,3 milhão para fazer campanha.

Mas se o partido oferecesse R$ 1 milhão para sua campanha, o senhor não aceitaria?
Kawel – Não. Em nenhum momento nós propusemos fazer campanhas milionárias. Inclusive essa foi uma bandeira que desde quando eu comecei na política, em 2016, eu já defendia. Por que? Você fala da viabilidade da candidatura. A viabilidade tem a ver não é com dinheiro, tem a ver com caráter, tem a ver com propostas, com passado limpo, e tem a ver com o tempo e disposição que a gente tem que ter. Se a gente fosse usar isso como uma regra, os partidos que estão participando do famoso centrão estariam lá na frente das pesquisas e não é o caso. Falta dinheiro para esses partidos? Não. Tem milhões de reais lá. Tem mais de 60% do tempo de televisão e não decola, porque o discurso está desgastado. É um discurso ultrapassado. O que as pessoas querem são coisas novas, a hora de mudança. O que a gente está vendo acontecer hoje, neste momento, é um fenômeno diferenciado. Fala de polarização, mas o país vem de 13 anos, 15 anos governado por uma corja que tem feito só miséria no nosso País. Chegou um momento de mudança, de tirar essas pessoas que hoje se apropriaram do poder, e muitos que estão aqui como candidatos querendo se perpetuar. Quando você monta um negócio ou você tem algo, você pode falar isso é meu. Quando você vai se propor a um cargo público, você tem que entender que você passa e dá a sua contribuição, mas depois sai e vem outro e faz a sua contribuição. O que os políticos da velha politicagem não entendem, eles querem continuar dominando.

O senhor é um candidato jovem e tem buscado o apoio dos jovens. O que tem sentido em relação a eles? Estão querendo realmente mudança, ou apenas acreditando em promessas?
Kawel – Eu tenho dois filhos que são crianças, um de seis anos e um de quatro anos: o Davi e o Daniel. Quando a gente fala de política, a gente tem que falar de futuro, de legado. E hoje qual é a visão que eu tenho de todos os jovens. Estão muito envolvidos. Inclusive estivemos em um determinado colégio e eu fiquei surpreso positivamente com o nível das perguntas. Perguntas propositivas, com muita sensatez. E isso nos traz uma luz no final do túnel: o futuro do nosso País, da nossa região, está em boas mãos. Os jovens estão, sim, querendo entender os projetos, as propostas. E uma coisa que na minha visão é latente não só nos jovens, mas em todos, é a renovação na política. Até essa polarização quer dizer o seguinte, estou de saco cheio do que eu estou assistindo, chega. Eu quero algo novo. É muito comum quando eu estou visitando uma pessoa ou fazendo campanha no dia a dia, a pessoa perguntar: você já é candidato? Eu falo que não. Então você tem meu voto. Por que? Porque as pessoas não querem mais aqueles que já têm mandato, que aparecem de quatro em quatro anos para pedir voto.

Rio Preto é uma cidade pobre em universidades públicas, apenas uma estadual (a UNESP), mais a faculdade de medicina (Famerp). Não está na hora de a acidade receber uma universidade federal? O que falta para realizar isso? Empenho de nossos políticos? (Pergunta de Fernando Marques, jornalista e historiador)
Kawel – Sim. Está na hora de recebermos. E Rio Preto hoje não tem representatividade. Rio Preto é uma cidade de mais de 500 mil habitantes, mais de 350 mil eleitores. E o que eu digo é o seguinte: Rio Preto é como uma capital da região, atendendo não só cidades e municípios do Estado de São Paulo, mas alguns vizinhos também, como Mato Grosso, Minas Gerais. E não tem hoje representatividade parlamentar. Hoje nós temos outros que vêm de fora dizendo que representam Rio Preto. Rio Preto precisa ter um parlamentar que traga recursos e defenda os interesses em Brasília. Muitas falam assim: ah, mas uma andorinha sozinha não faz verão. No caso de um parlamentar, isso não é verdade. Um deputado federal tem, só de emendas impositivas, R$ 15 milhões por ano. Fora que, se ele fizer articulação entre os ministérios, pode subir esse orçamento e trazer recursos para nossa cidade e para nossa região. Além de fazer um papel de interlocução em Brasília, fundamental para representar nossos interesses, que é o caso da pergunta de uma universidade federal. A gente tem que, realmente, votar em pessoas da nossa cidade, pessoas que representam, que entendem a demanda.

De que forma o senhor pretende incentivar e fomentar o empreendedorismo? (Marcos Scadelai, presidente do Lide Rio Preto)
Kawel – Eu, assim como o Marcos, apresento um programa que chama Desafio de Empreender todo o sábado às 19h20 no SBT Interior. Agora nós estamos fora do programa por conta das eleições. E o que eu tenho acompanhado? Uma das soluções para nosso País é o empreendedorismo. Agora, como que a gente fomenta? Uma responsabilidade do deputado federal é fazer e participar das grandes reformas que o País necessita. E uma reforma que temos que fazer urgentemente é a tributária. Eu já falava isso quando fui candidato a prefeito de Rio Preto. Vamos pegar um exemplo local. Aqui nós temos o ISS. Os empreendedores daqui contribuem obrigatoriamente com 5%. Eu pergunto: é justo o empresário pagar 5% enquanto cidade da nossa região cobra 2%? A troco de fomentar ou na reciprocidade de fomentar novos postos de trabalho? Não. Isso não é razoável. Nós vimos aí o que aconteceu na greve dos caminhoneiros. A discussão de PIS e Cofins que impacta no óleo diesel, impacta na gasolina, então nós precisamos urgentemente fazer uma grande reforma e simplificar a regra do jogo. Outra questão do empreendedorismo é que nós precisamos colocar na agenda das escolas privadas e públicas o tema. Temos de preparar melhor os nossos jovens para que ele já tenha experiências, já tenha definida sua aptidão.

Como o orçamento está congelado, como o senhor pretende, uma vez eleito, trazer efetivamente recursos para o Sistema Único de Saúde de Rio Preto? (Amália Tieco, diretora executiva do Hospital de Base)
Kawel – A ferramenta que o parlamentar tem é trazer emendas impositivas. E isso não depende de terceiros. Não somente para o Hospital de Base, mas também pensar em outros hospitais. Em Rio Preto, nós temos um déficit na saúde, assim como no restante do Brasil. E nós tivemos aí um hospital que foi fechado, o caso do Ielar, por falta de verba, por falta de uma série de discussões. Então, na minha visão, uma cidade como Rio Preto precisa trazer verba para o HB, para a Santa casa. E precisa retomar o projeto Ielar. A discussão da gestão é outra discussão, nós precisamos oferecer para a população saúde e isso é um direito garantido na Constituição.

Num estado democrático de direito, como o Brasil, onde a desigualdade social é gritante, como o candidato compreende a Defensoria Pública e também o acesso à Justiça no País? (Júlio Tanone, defensor público)
Kawel Lotti – É uma iniciativa muito positiva para todos aqueles que precisam ter acesso ao direito. No nosso País discute-se muito a questão da corrupção. Hoje tem pessoas presas por migalhas, porque roubou uma galinha, roubou um ovo. Enquanto outros que cometeram tantos crimes de colarinho branco, roubaram o galinheiro inteiro, não vão presos. E a agente vê as discussões, o recurso extraordinário, os embargos de declaração. Então é o dito popular: quem tem dinheiro não vai preso. E o pobrezinho ali que não tem acesso a bons advogados vai. Dois dias atrás estive num bairro aqui e vi o drama de uma família com crianças em vulnerabilidade social, o pai foi assassinado, dependentes químicos. Aí você vê a importância de atender essas famílias humildes e dar orientação, inclusive jurídica, para que ela tome as providências necessárias e consiga seguir um caminho de vida digna, justa e igualitária para todos, né?

O senhor se posiciona como um político de direita ou de esquerda?
Kawel – Sou de centro-direita.

Então vamos para nosso teste…
1) Qual a opinião do senhor sobre a descriminalização do aborto?
Kawel – Sou a favor da vida, sou contra o aborto, e isso é uma crença pessoal e que eu trago para a vida pública.

2) Redução da maioridade penal?
Kawel – Sou a favor. Um jovem de 16 anos pode definir quem é o presidente, que é uma decisão que muda a vida das pessoas, porque não deve ser penalizado se ele cometer um crime?

3) Armar a população como forma de combater a criminalidade?
Kawel – Se nós tivéssemos hoje segurança garantida, era uma coisa. Mas não é o caso. Então, eu sou a favor, sim. Eu sou a favor do porte de arma, por exemplo.

4) O senhor votaria a favor das privatizações do Banco do Brasil, Caixa Federal, Correios e Petrobras?
Kawel – A privatização, para mim, deve ser feita de forma estratégica. Algumas empresas são estratégicas para o nosso País. Quando a gente fala da Petrobras, nós precisamos melhorar a eficiência, o entorno da Petrobras, são muitos negócios, muitas empresas e meu voto será de privatização. A própria Petrobras hoje, na minha visão, é uma questão estratégica, porque está trabalhando a questão do combustível. Agora, precisamos mudar a política. É um absurdo vender a gasolina para os nossos vizinhos, alguns até ditadores, a preço de centavos e cobrar R$ 4 de consumo no Brasil. Então isso tem que mudar. Se for o preço de privatizar, vamos privatizar, agora eu não sei se é o preço disso. Precisa mudar a gestão, colocar uma gestão decente, agora é uma empresa estratégica para o nosso País. Que diz respeito inclusive à segurança nacional.

Porque o senhor merece o voto do eleitor para um mandato a deputado federal?
Kawel – O modelo de política atual fracassou. Descaso, incompetência, corrupção, nós precisamos de mudanças. De renovação com qualidade. Nós precisamos tirar os coronéis de sempre que gastam milhões como já foi citado, que estão envolvidos em corrupção. E colocar gente nova. Então, eu peço que você avalie minha biografia, avalie meu passado, pode puxar lá, consultar, eu sou um empreendedor, alguém que gera emprego. Eu sou apresentador eu tenho ideias, projetos e eu quero trabalhar para você, para sua família. E, para que isso aconteça, eu peço do seu apoio, do seu voto, do voto da sua família, porque juntos nós podemos mudar o Brasil.

 

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste sábado (29)

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