Conexão Capivara: Perdigueiro

O nome dele é Luís Roberto Thiesi. Mas pode chamar de perdigueiro. Dependem da caneta do atual secretário de Administração as decisões que mais têm trazido recentes desgastes ao governo Edinho Araújo (PMDB). Foi dele a ordem de reduzir em 80% o número dos Anjos da Guarda, conta que deve ser oficializada na quinta-feira (28). Com menos impacto midiático, mas também com consequências à prestação de serviços, partiu do secretário a iniciativa de reduzir outros terceirizados – como a limpeza nas escolas e os motoristas a serviço do município. E, apesar de a palavra final não ser dele, Thiesi se posiciona firmemente contra a contratação de 55 aprovados em concurso da Assistência Social.

Não que haja muito sofrimento por parte do secretário de Administração em fazer tais cortes drásticos. Servidor de carreira, ele não tem pretensões políticas e foi alçado a cargos de destaque dentro da Prefeitura ainda no primeiro mandato de Edinho. Ele faz o que for necessário para que a máquina administrativa funcione. E o necessário, agora, é cortar o que puder cortar. Ainda que sob choro e ranger de dentes.

 

Tal qual o cão de caça, Luís Roberto Thiesi segue fielmente a cartilha de reduzir gastos na Prefeitura. Custe o que custar

A alcunha de perdigueiro, um cão que se destaca pela fidelidade e pela obediência ao seu papel primordial de caçar perdizes, foi dado a Thiesi por ele mesmo, em uma conversa com a secretária de Esportes, Cleia Bernardelli. Enquanto Cleia lamentava, dizendo que estava sendo “judiada” por conta dos cortes, Thiesi disparou: “Como se o dinheiro fosse meu. Governar é a arte de decidir e executar o que foi decidido. Sou perdigueiro, não sou quem decide”.

Pois o perdigueiro da Prefeitura continua focado na sua missão de reduzir gastos de qualquer maneira. Só no contrato do Anjos da Guarda, a previsão é que as despesas do município reduzam de R$ 24 milhões para R$ 2 milhões ao ano. O secretário também argumenta que a contratação dos profissionais no concurso da Assistência Social deve representar de R$ 3,7 milhões a R$ 4 milhões no orçamento da Prefeitura.

A Prefeitura costuma ter uma fauna bastante exótica. Tem lá seus perdigueiros, mas também existem os papagaios (que só querem sair na foto), os caranguejos (que andam de lado), os galos (que só cacarejam), as corujas (que dormem no ponto), as formigas (que trabalham muito), os bichos-preguiça (esse é autoexplicativo) e mais uma infinidade de perfis que lotariam o Bosque Municipal. É do prefeito a responsabilidade total sobre as decisões administrativas e políticas. Por isso, mais do que seguir cegamente o que indicam seus secretários mais técnicos, ele precisa pesar bem os impactos e as consequências à comunidade com o contínuo corte de funcionários. Seja como for, uma coisa é certa: de perdigueiro, Edinho está muito bem servido.

 

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