Conexão Capivara: Os órfãos do PT

Os petistas – ao menos em Rio Preto – parecem ter encontrado um candidato à Presidência para chamar de seu. Trata-se de Guilherme Boulos, do Psol, que esteve nesta sexta-feira (25) em Rio Preto para divulgar sua campanha para presidente.

Evento na noite de sexta no Centro Cultural Vasco, reduto petista, contou a presença maciça de militantes de vários partidos da esquerda – além do Psol, PT, PC do B e PCB. Mas foi muito além disso, já que petistas históricos, como o ex-presidente municipal Ailton Bertoni, acompanhou Boulos no périplo que ele fez em veículos de comunicação da cidade. Algo além da simples simpatia por um pré-candidato que atua no campo da esquerda.
O evento do Vasco, por mais que fosse anunciado como uma confraternização das esquerdas, foi um ato declarado de campanha de Boulos. E estavam lá, na primeira fila, o
presidente municipal do PT, Carlos Henrique, e o vereador Marco Rillo (PT). No momento em que os petistas se sentem órfãos politicamente após a prisão do seu líder-mor, o
ex-presidente Lula, que já é considerado carta fora do baralho quando se trata da sucessão presidencial.

Por uma questão de estratégia política – estratégia essa altamente questionável, aliás -, a direção nacional do PT ainda aposta no slogan “Lula livre” e insiste que ele será candidato neste ano. Mas nem o petista mais poliana tem a expectativa de que isso possa ocorrer. Enquanto crescem as adesões a candidatos como Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede)
e Ciro Gomes (PDT), o PT permanece inerte e sem rumo, apostando no discurso lulista com total ciência de que ele não estará nas urnas.

Boulos agrada aos petistas pelo perfil de lutas sociais e pelo fato de o Psol ser uma dissidência do PT sem apelar para o radicalismo do PSTU, por exemplo. Não que Boulos seja só elogios ao Partido dos Trabalhadores: há críticas, mas algo quase superficial, um discurso que rapidamente muda o foco para atacar “quem controla o Brasil há 500 anos”. Mais que a roubalheira imposta nos governos Lula e Dilma, a veemência do candidato do Psol contra o PT se concentra em apontar “questões que não foram enfrentadas” pelo partido nos 13 anos em que esteve no comando do País. Entre elas, a reforma política.

Em Rio Preto, há um agravante para a adoção de Boulos pelo PT: trata-se do deputado estadual João Paulo Rillo (Psol). Principal liderança política da esquerda na região de Rio Preto, João Paulo aproveitou a janela partidária em abril para trocar o PT pelo Psol. E
isso criou um vazio de poder dentro da sigla em Rio Preto. Tanto que, pela primeira vez nas últimas décadas, o Partido dos Trabalhadores na cidade não deverá lançar nem candidato a deputado federal nem a estadual. O próprio Carlos Henrique, presidente
municipal, liberou os petistas de Rio Preto para que trabalhem – e votem –
em João Paulo. Algo que seria inimaginável em outras disputas eleitorais.

Quando cair a ficha da direção nacional do PT e eles resolverem finalmente lançar o substituto da candidatura de Lula – o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad é o principal nome -, talvez seja tarde demais. Boulos ganhou a simpatia petista menos por seus atributos políticos e mais pela orfandade petista. Menos por ideologia – apesar de atuarem no mesmo espectro político – e mais por necessidade mesmo.

 

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta segunda-feira (28)

 

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