Conexão Capivara: Os 13 de Maurin

Tudo mundo está cansado de saber que comprar votos é crime. Mas nem todos sabem que vender também é. Está no artigo 299 do Código Eleitoral: “dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita”. A pena é de reclusão de até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-multa.

Treze eleitores souberam disso da forma mais amarga nas eleições de 2016. Eles venderam o voto – e a consciência – por míseros litros de gasolina. E literalmente pagaram por isso.

O comprador, no caso, foi o ex-vereador Maurin Ribeiro. De acordo com denúncia apresentada pelo promotor José Heitor dos Santos, o ex-parlamentar montou um esquema envolvendo requisições em um posto de combustível. Maurin e os empresários Sigmar Aparecido de Lima e Silvio Roberto Zani prometeram, ofereceram e doaram combustíveis a dezenas de eleitores com a finalidade de obter votos para o então candidato à reeleição. Zani, dono de um posto no Jardim Nunes, entregou talões de requisições a Maurin e Sigmar. Ao todo, foram distribuídas 142 requisições de combustíveis a eleitores, cada qual no valor de R$ 50, sob a condição de colocarem adesivos em seus veículos com propaganda eleitoral do ex-vereador e votarem nele.

Dos mais de 100 eleitores beneficiados, 13 foram identificados e denunciados pelo promotor José Heitor pelo crime de venda de voto. O processo contra eles foi suspenso, mas com algumas condições: tiveram de pagar R$ 1 mil que foram revertidos para a Apae, têm de comparecer mensalmente ao juízo para informar e justificar suas atividades, não frequentar bares e casas de prostituição e, por último, não se ausentar da comarca sem autorização do juiz. Isso tudo por causa de míseros R$ 50, que foi o quanto custou o voto de cada um deles.

Já Maurin, Sigmar e Zani não tiveram a mesma sorte, por assim dizer. O processo por compra de votos contra eles continua e a audiência de julgamento dos três denunciados será no dia 1º de março. Para comprovar que compra – e venda – de votos é um crime que não compensa.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta sábado (24)

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