Conexão Capivara: Onze requerimentos e muitos segredos

O início dos trabalhos da CPI da Emurb desmontou o argumento governista de que a investigação só deveria ser iniciada após a conclusão da sindicância montada pela Prefeitura de Rio Preto para apurar os malfeitos na empresa municipal. Isso porque os vereadores Marco Rillo (PT), Gerson Furquim (PP) e Celso Peixão (PSB) recuaram 17 anos no passado e estão questionando, além das atuais falcatruas na licitação da Área Azul Digital, concurso público realizado em 2001 que teria supostamente favorecido parentes de servidores lotados na Emurb. Muito mais abrangente, portanto, que a sindicância já finalizada pela administração.

Ao todo são 11 requerimentos com 24 questões que solicitam informações, além do já citado processo seletivo, sobre a organização da empresa, a indicação de comissionados, atas do conselho administrativo da Emurb e o processo de digitalização da Área Azul. Pode até parecer uma devassa – o que levaria a CPI a ser questionada juridicamente -, mas por enquanto não é. Isso porque todos esses questionamentos constam do requerimento de formação da comissão, que cita diretamente o direcionamento na contratação da Área Azul Digital, a suposta falsificação de talões, o concurso público realizado em 2001 e a suspeita de negociação de dinheiro da empresa para descontar cheques para terceiros.

Dhoje Interior

A CPI mira também, ainda que indiretamente, o secretário de Governo, Jair Moretti. Isso porque o citado processo seletivo foi realizado no período em que ele administrava a Emurb, em 2001. “Eu fiz (o concurso) com tranquilidade e transparência. Na época não teve questionamentos. O Tribunal de Contas aprovou. Se ele acha que teve fraude, que prove. O resto é perfumaria”, afirmou Moretti.

É claro que há a possibilidade real em uma investigação tão ampla de que o foco seja perdido – em tese, cada um dos apontamentos praticamente valeria uma CPI por si só. E há o risco real de que, quanto mais a fundo os vereadores cavarem, mais esqueletos saiam das catacumbas e estendam os tentáculos da investigação. Mas isso, obviamente, não é argumento para criticar a abrangência da CPI. Até porque, se novos casos surgirem, novas investigações poderão ser propostas ou até mesmo encaminhadas ao Ministério Público e à Polícia Civil.

A CPI terá funcionamento de 120 dias, prorrogáveis por mais 120. Uma coisa é certa: o escândalo da Emurb acabou de começar.

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