Conexão Capivara: O senhor é favorável ou contrário a uma maior flexibilização do uso de agrotóxicos. Por quê?

Eleuses Paiva médico, ex-deputado federal, vice-prefeito de Rio Preto e candidato à Câmara Federal pelo PSD

A PL do Veneno, ‘apelido’ dado ao projeto de lei de número 6299/2002, dividiu a classe política, empresários, ambientalista e cidadãos. Foi como uma forte cutucada em um vespeiro que provocou uma discussão que segue tomando proporções cada vez maiores. Há quem diga que a PL libera a contaminação dos alimentos e tem aqueles que defendam com a justificativa do controle de pragas e da maior competitividade no mercado externo. A coluna pediu para os seis candidatos a deputado federal da região comentarem sobre o assunto, dizerem o que pensam e os motivos que os levaram a ter tais conclusões sobre o tema. São eles: os deputados federais Sinval Malheiros (Pode) e Fausto Pinato (PP).

Também os quatro candidatos com domicílio eleitoral em Rio Preto, sendo Eleuses Paiva (PSD), Luiz Carlos Motta (PR), Pedro Roberto (PRP) e Valdomiro Lopes (PSB). O deputado Fausto Pinato e Valdomiro Lopes não quiseram dividir o posicionamento em relação ao assunto, infelizmente. Acompanhe abaixo o que disseram os demais.

Eleuses Paiva
médico, ex-deputado federal, vice-prefeito de Rio Preto e candidato à Câmara Federal pelo PSD

‘Os mesmos são utilizados em países de primeiro mundo’

Acredito que o significado de agrotóxico que tem sido veiculado por alguns setores da sociedade e parte da mídia, através de critérios ideológicos, é equivocado. O Brasil só conseguiu atingir os patamares atuais de liderança na produção de commodities agrícolas graças à competência das áreas de pesquisa e desenvolvimento que possibilitaram a criação de espécies de sementes e químicos capazes de produzir em regiões anteriormente incompatíveis com agricultura e controlar pragas que antes condenavam nossas plantações. Aliás, a grande maioria dos produtos aplicados hoje no Brasil são amplamente utilizados nos países de primeiro mundo, como EUA e Estados Europeus, com segurança e eficácia comprovadas. Privar o país da incorporação de novas tecnologias utilizadas no restante do mundo seria uma derrota ao produtor brasileiro.  Apresentada nova fórmula/tecnologia aos órgãos de controle e provada sua segurança e eficácia, há de ser feita a liberação. Não há a possibilidade de alterações através de critérios político-ideológicos, mas através de critérios objetivos que garantam a saúde da população.

Luiz Carlos Motta
sindicalista, presidente licenciado da Fecormerciários e candidato à Câmara Federal pelo PR

‘População não pode ser colocado em risco’

Defendo sempre a modernização e desenvolvimento do agronegócio, mola propulsora da economia brasileira. Mas a liberação indiscriminada de agrotóxico não me parece a medida mais acertada. É preciso aprofundar os estudos. O bem-estar da população não pode ser colocado em risco.

Pedro Roberto
quarto mandato de vereador em Rio Preto e candidato à Câmara Federal pelo PRP

‘Vamos ter uma avalanche de mortes’

Sou contrário a maior flexibilização. O mercado brasileiro de agrotóxicos é o maior do mundo, com 107 empresas aptas a registrar produtos, e representa 16% do mercado mundial. Somente em 2009 foram vendidas mais de 780 mil toneladas de produtos no país. Além disso, o Brasil também ocupa a sexta posição no ranking mundial de importação de agrotóxicos, sem contar o contrabando de substâncias “piratas” cujo uso é proibido na maioria dos países, até mesmo aqui entre nós. Sou contra o PL 6299 – ‘PL do Veneno’. Os números acima mostram a situação preocupante para o Brasil hoje; se aprovado, vai piorar muito e vamos ter uma avalanche de mortes a mais por conta desta liberação. Um crime contra nosso povo.

Sinval Malheiros
médico, deputado federal e candidato à reeleição à Câmara Federal pelo Podemos

‘Temos que buscar um equilíbrio’

Essa é uma discussão muito importante. Sou defensor do agronegócio e sei da importância deste segmento na economia nacional, como também da agricultura familiar, responsável por 70% do consumo interno brasileiro. Porém, minha experiência como médico me faz ter uma série de restrições ao uso indiscriminado de agrotóxicos em nome do lucro. Temos que buscar um equilíbrio entre o desenvolvimento, a saúde humana e a preservação ambiental. Os interesses de mercado são legítimos, desde que não coloquem em grave risco a saúde do povo, dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, os alimentos, os recursos hídricos e todo ecossistema. Cinquenta anos atrás, o Brasil precisava construir Hospital para Tuberculose. Hoje, o Brasil precisa construir um novo Hospital de Câncer todos os meses. Todos nós sabemos que algo não vai bem e precisamos ter mais critérios com relação ao uso de substâncias que os maiores países do planeta consideram cancerígenas, que promovem desregulação dos hormônios, ativação de mutações e danos ao aparelho reprodutor.

 

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste domingo(29)

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