Conexão Capivara: ‘O que é renovação? Eu sou jovem nas ideias’

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O deputado estadual Vaz de Lima (PSDB) está em campanha pelo sétimo mandato consecutivo. Já foi eleito cinco vezes à Assembleia Legislativa e uma à Câmara Federal. Mas, como um inegável sobrevivente político, adaptou o discurso ao atual apego do eleitorado brasileiro pela ideia de renovação. “Eu conheço muitos jovens que são velhos de cabeça. Então, renovação, para mim, é uma coisa muito relativa”, afirma. E se classifica como uma pessoa experiente, “mas jovem nas ideias”.

Sabatinado pela coluna na manhã desta quinta (6), horas antes de Jair Bolsonaro (PSL) ser vítima de um ataque com faca em Minas Gerais, ele colocou todo o peso de sua experiência na afirmação de que o tucano Geraldo Alckmin e o petista Fernando Haddad protagonizarão o segundo turno das eleições para o Planalto, contrariando pesquisas de intenção de voto que colocam o capitão da reserva como um nome certo na etapa seguinte da disputa.
“Rádio e TV podem representar 55% de influência. Com isso, eu vou lhe garantir. Os dois que estarão no segundo turno: Haddad e Alckmin. Pôe no jornal. Primeira página.”

Dhoje Interior

Contundente, ele se admite personalista quando questionado sobre a estratégia de assumir a paternidade de praticamente todas as obras que o governo estadual realizou na região nas duas últimas décadas e meia. E embora se autodefina como uma pessoa de centro na régua ideológica, expressa opinião um tanto conservadora em relação a temas como aborto e drogas, por exemplo. Confira abaixo principais trechos da entrevista

Existe um discurso forte hoje voltado para a renovação na política. Os institutos de pesquisa apontam isso. O senhor já tem quase 24 anos como deputado estadual e federal. Como convencer pessoas que querem renovação com esta estrada tão longa como deputado?
Vaz de Lima – O que é renovação? O que é renovar? Essa é a primeira questão que nós temos que colocar. Renovar é votar só em gente nova? Renovar também significa ideias novas. E, para mim, as pessoas se renovam à medida que se informam, à medida que se conectam a essa nova realidade que estamos vivendo. Eu conheço muitos jovens que são velhos de cabeça. E conheço muitas pessoas que já têm mais experiência de vida, como eu, e são jovens nas ideias. Então, renovação, pra mim, é uma coisa muito relativa.

E o que o senhor traria como novidade em um novo mandato?
Vaz – Há uma realidade nova que é a internet. A internet está mudando o mundo. As mídias sociais, o contato que você tem no cotidiano com o eleitor mudou completamente. Você é alcançável em qualquer forma e em qualquer maneira. E acho bom. A pessoa que entrou na vida pública tem que entender que está com a vida aberta. Por isso, tem que ser mais transparente. Por isso que a expressão é vida pública. Eu fiz uma opção na vida. Eu sou servidor público por concurso. Sou funcionário da Secretaria da Fazenda aposentado. Isso depois de 47 anos de contribuição. A Ivani também fez a mesma opção. Servidora pública da Caixa Federal por concurso público e, ambos, optamos por nos tornarmos funcionário do povo através do voto.

Em 2014, o senhor atingiu, dos três deputados estaduais eleitos por Rio Preto, a maior votação no total, mas foi o que teve menos votos na cidade. Foram quase 114 mil votos, dos quais 29.746 em Rio Preto. Bolçone teve 44.358 votos em Rio Preto do total de 76 mil. E João Paulo Rillo somou 43.854 eleitores em Rio Preto do total de 72 mil. Por que essa dificuldade de conquistar voto na sua cidade?
Vaz – Eu não vejo dificuldade. A minha primeira eleição se deu de uma forma muito diferente. Eu não fui vereador em Rio Preto. Aliás eu gostaria muito de ter sido. É uma bela escola e eu costumo sempre dizer que todo mundo deveria ter tido essa oportunidade. E assim fazer uma carreira. A minha primeira eleição se deu por uma outra lógica. Como eu não tinha sido vereador nem candidato a prefeito de Rio Preto, a minha votação se deu pela conjugação de outras realidades. E foi se mantendo. Isso que aconteceu. Para se ter uma ideia, na minha primeira eleição eu tive 7,2 mil votos em Rio Preto. Na segunda eleição, eu fui pra 18,2 mil. Porque aí a população começou a conviver comigo. Ver o meu trabalho. Eu acho uma coisa muito interessante. A despeito de não ter sido o mais votado na cidade, parece que a cidade entende que eu sou o que contribui mais.

Mas não retribui com voto?
Vaz – Mas aí é uma questão da população. Como eu não fico o tempo todo aqui, como fica por exemplo João Paulo e o Orlando, isso talvez seja a maior dificuldade. Agora eu quero chamar os eleitores e os internautas para que andem pela cidade. Não existe um canto dessa cidade em que não haja uma obra que eu não tenha trazido para cá.

O trabalho de um deputado estadual ou federal vai muito além de apresentar projetos, mas o senhor poderia falar de uma lei de sua autoria que fez diferença para o povo paulista nestes quase 24 anos de Legislativo?
Vaz – Cito duas. Eu sou da área de tributação, de finanças, de orçamento e todo mundo sabe. E eu acho que eu dei uma grande contribuição ao País quando estive em Brasília e aprovei duas leis. As duas dizendo respeito à mesma coisa. Muita gente não sabe e é difícil comunicar isso. Vocês sabem o que é Super Simples. É uma forma mais simplificada de pagar os tributos estaduais e federais. Quando eu estive em Brasília, o comércio podia fazer uso do Super Simples e a indústria também. Mas todos os profissionais liberais estavam fora: 140 categorias profissionais, como médicos, dentistas, enfermeiros, psicólogos, manicures, corretores de seguro. Tá lá, lei Vaz de Lima. E todos eles puderam se integrar no Super Simples. Depois, criei uma tabela. No mesmo Super Simples, deixei lá e foi aprovado na época do Temer, por que a Dilma não quis fazer isso. Vale para o Brasil inteiro. Tenho orgulho de ter sido o autor dessas duas Leis. Muito orgulho.

E o que tem do senhor na Assembleia?
Vaz – Quem fazia vestibular para a Fatec tinha o direito de dizer: eu estou desempregado, estou com dificuldade familiar e não posso pagar a taxa do vestibular. Mas isso não valia para as Etecs. No final do ano passado, aprovei uma Lei que diz que o que vale para as Fatecs vale para as Etecs.

O senhor adotou uma estratégia de “rememorar” nas redes sociais conquistas da região nas duas últimas décadas e meia dando às mesmas o seu DNA. Existem críticas de que o senhor ignora uma conjunção de forças políticas que trabalhou em confunto. Isso vai do Poupatempo ao Hospital da Criança, por exemplo. O senhor não é personalista demais na forma de fazer política?
Vaz – Sou. Claro. Quem duvida que fui eu que trouxe o Poupatempo pra Rio Preto? Me diga.

O Prefeito teve que disponibilizar área. Teve todo um conjunto de forças.
Vaz – Não. Eu fui ao governo do Estado e disse: quero botar o Poupatempo lá. Ele falou: Vaz, vamos botar. E fui atrás. O de Ribeirão Preto é posterior ao de Rio Preto. O Hospital da Criança. Quem não sabe que eu sou patrono do Hospital da Criança? Quem não sabe disso? Quem é que quer tirar casquinha disso? Trabalho meu. Procura o pessoal lá da época. Procura o doutor Chim Palchetti. Desculpa, aí não dá. Quem pode dizer que não fui eu que ajudei a resolver o problema do trevão lá na confluência da BR com a Assis Chateaubriand? Fui eu. Não foi ninguém mais.

Um político sozinho consegue tudo isso sem a ajuda de outros políticos?
Vaz – Consegue.

Mas em relação ao Poupatempo, o próprio prefeito Edinho Araújo fala que foi o mensageiro entre o Governo e a Casa do Cidadão…
Vaz – Não foi. Desculpe. Tanto que a Casa do Cidadão estava lá, construída e não tinha utilidade. Nós viemos construir o Poupatempo. Eu tinha autorização do governador pra comprar outro prédio ou alugar, ou pra arranjar um terreno para construir, quando chegou a proposta para fazer lá. Aí tudo bem. Aí é uma segunda etapa: quero emprestar o prédio. Perfeitíssimo. Mas aí, ele queria que colocasse Poupatempo dentro da Casa do Cidadão. Sem chance. O Poupatempo é uma marca do governo estadual. Outra coisa: quem resolveu o problema da área da Santa Casa? Fui eu.

O deputado estadual Orlando Bolçone diz que foi ele…
Vaz – Procure o Nadim (Cury, provedor da Santa Casa). Tá aqui pertinho. Vamos lá? Vamos sair daqui e vamos lá? Chama o Nadim. Agora, vocês precisariam, na minha avaliação, fazer esses embates. Vá falar com ele.

A gente pode convidar o deputado Orlando Bolçone e o senhor e fazer o embate. Mas não seria mais justo dividir essa paternidade?
Vaz – Não há uma disputa de paternidade. Adoro o Orlando. É meu amigo há 55 anos. Ele pode ter em algum momento ajudado aqui ou ali. Procura o Nadim, pô.

O que aconteceu com o PSDB de Rio Preto que se desidratou tanto a ponto de não eleger um único vereador em 2016? O senhor tem hoje na Câmara aliados que são de outros partidos, porque não tem uma bancada do partido lá.
Vaz – Estratégia. Política se faz com estratégia. Nós tínhamos dois vereadores. César e Alessandra. Quando fomos compor, eles nos pediram: não vamos coligar com ninguém. Tudo bem, para não coligar com ninguém tem de reforçar a chapa. E eles não ajudaram a reforçar a chapa. E se tinha na cidade que nossos principais candidatos seriam bem votados. O próprio César, Alessandra e o Coronel Vicente. Nas urnas, os votos não vieram. Foi simples assim.

Como o senhor avalia a situação do presidenciável do PSDB Geraldo Alckmin, que assumiu logo de cara um tom agressivo contra os adversários? Estratégia, aliás, que divide os aliados.
Vaz – Tenho certeza que está se fazendo o melhor possível. Acho que o Bolsonaro trabalhou muitos anos e vou dizer uma coisa. Quem pensa que foi geração espontânea a história do Bolsonaro, não foi. Há seis anos ele trabalha nas redes sociais. Profissionalmente. Pago. Sabe fazer. Muitíssimo bem orientado. Aí deu no que deu. Mas agora estamos em uma outra realidade. Ontem eu visitei um amigo muito envolvido nessa área e perguntei o que ele acha, qual pode ser a influência da rede social nesta eleição. Ele acha que não será mais que 45%. O que significa que rádio e TV podem representar 55% de influência. Com isso, eu vou lhe garantir. Os dois que estarão no segundo turno: Haddad e Alckmin. Põe no jornal. Primeira página.

Diante de tantos escândalos envolvendo PT, PSDB e MDB, como convencer o eleitor de que há no horizonte novas possibilidades?
Vaz – Coerência. Eu sou PSDB. Eu mudei de partido? Meu eleitor, isso precisa ser levado em conta. Porque pular de galho em galho por interesses é a coisa mais fácil. Isso mostra o candidato. Eu e Ivani estamos no mesmo partido. Aliás somos casados há 44 anos na alegria e na tristeza. O PSDB está passando por um momento difícil. Mas o PSDB foi o partido, na minha avaliação, que mais contribuiu para o País. Foi o PSDB que trouxe ao País a estabilidade econômica. Que acabou com a inflação que penaliza mais os mais pobres. Tem companheiros que estão envolvidos com algumas coisas, a Justiça vai provar. Mas eu não tenho dúvida que Alckmin é o melhor para o País e Doria é o melhor para São Paulo.

“Nós sabemos que o funcionalismo público do Estado de São Paulo sofreu 10 anos sem nenhum reajuste. O senhor foi deputado estadual por diversos mandatos, esteve na Assembleia Legislativa quase todo esse tempo. Eu queria saber o que concretamente o senhor fez para que o governador, que era do seu partido, restabelecesse a dignidade do funcionalismo público estadual?” (pergunta da candidata Eni Fernandes, do PT)
Vaz de Lima – Fui eleito na mesma época que o Mário Covas. Não tínhamos dinheiro nem para pagar a folha de pagamento de janeiro. Foi assim que nós pegamos o Estado. Precisamos fazer naquele momento uma reengenharia para dar ao Estado condição de se tocar. Todo mundo lembra disso. Eu fui o protagonista disso. Mais de uma vez. Busquem as atas. Eu fui o relator das principais matérias. Ai não tem quem divide paternidade não. Fui eu. Está lá. E reconstruímos o Estado. A economia passou por um melhor momento, depois dificultou. Mas queria lembrar, Eni, é verdade o que você está dizendo. Nós temos dificuldades. Agora, nós temos uma lei de responsabilidade fiscal que limita o quanto você pode gastar com servidor público. E segundo: lembrar o quanto muito Estados que foram administrados pelo seu partido, o PT, estão quebrados. Os funcionários não recebem, tudo atrasado. Simples assim. São Paulo está numa condição favorável, mas está quase no limite da lei de responsabilidade fiscal.

O senhor se classifica como esquerda ou direita?
Vaz – Centro.

Vamos para nosso teste, então…
1) Aborto. A favor ou contra?
Vaz – Contra. Sou a favor da vida, da família.
2) Liberação da maconha como forma de reduzir a criminalidade?
Vaz – Contra. Acho que isso não vai resolver o problema.
3) Ensino religioso obrigatório nas escolas?
Vaz – Se não for confessional, sou a favor.
4) Liberação do uso de armas para o cidadão comum?
Vaz – Pro campo, acho que nós deveríamos liberar. Para a cidade, acho que tem que ter uma regra um pouco melhor definida ainda.
5)Flexibilização do uso de agrotóxicos na agricultura?
Vaz – Sou contra.
6) Privatização de empresas públicas como Petrobras, Correios e Banco do Brasil?
Vaz – Cada caso é um caso. Sou a favor das privatizações, mas precisamos avaliar cada caso.

O senhor acredita que vai ser o típico candidato beneficiado por ter mais recursos pessoais do que a maioria dos adversários? E também tem a ajuda do PSDB, uma das legendas que mais recebem recursos do fundo eleitoral…
Vaz – A Ivani vai receber um pouco mais do fundo partidário, porque que tem que investir mais em mulheres. E eu vou receber uma cota menor. Foi assim que se decidiu. Já depositaram uma parte. Se não me engano R$ 25 mil. E pode ser que ainda depositem um pouco mais até o final da campanha, porque quem produz o fundo partidário, o fundo eleitoral e o tempo de TV são os votos dos deputados federais. O restante, estou pegando contribuições e pegando um pouco daquilo que eu fiz na minha poupança. Não porque sou rico, porque sou servidor público e servidor do povo.

O senhor já recebeu uma doação de R$ 65 mil e outra de R$ 100 mil. Quem são os doadores?
Vaz de Lima – Dois empresários. Amigos.

Por que o senhor acha que merece o voto de confiança do eleitor para mais um mandato?
Vaz – Eu tenho seis mandatos. Agi com ética, com decência. Sou ficha limpa. Vê lá meus processos se eu tenho problema com isso. Contribuí o máximo que eu pude em todas as áreas. Para Rio Preto, incontestavelmente, tá aí. Vou soltar um boletim daqui a alguns dias e vocês vão ver. Em cada canto da cidade há alguma coisa que eu trouxe. É despeito de alguns querer pegar carona. Eu não vejo problema. Mas você, leitor, vai fazer o julgamento. Quero pedir de novo a oportunidade. O seu apoio e o seu voto. Agora, no dia sete de outubro, vote Vaz de Lima 45151.