Conexão Capivara: O próximo passo da CPI

O confortável “eu não sabia de nada” livrou por um bom tempo a cara do ex-presidente Lula das estripulias envolvendo seu governo, seu partido (o PT) e siglas aliadas. Foi no papel de “marido traído” que ele saiu vitorioso das urnas na disputa pela reeleição em 2006, embalada pelo escândalo do Mensalão, e chegou livre, leve e solto até aqui, mesmo com a devastação da Lava Jato ao seu redor. Só agora a história começa a mudar.

Tiradas as devidas proporções e gravidades das supostas irregularidades investigadas pela CPI do Lixo, em Rio Preto, o fato é que, segundo os vereadores que integram a comissão – Pedro Roberto (relator), Marco Rillo (presidente) e Renato Pupo (integrante) –, a muleta do “eu não sabia de nada” adotada pelo ex-prefeito Valdomiro Lopes e parte de seus colaboradores diretos durante os depoimentos não pode ser aceita passivamente. Daí que eles já dão um sinal do caminho que deve seguir o relatório final dos trabalhos. “Se é assim, houve, no mínimo, omissão ou irresponsabilidade”, afirma Pedro Roberto. Antes de se concentrar no documento conclusivo, no entanto, o trio pretende ouvir o promotor de justiça Sérgio Clementino. A ideia, segundo Pedro Roberto, é que ele ajude os parlamentares a estabelecer, à luz da legislação vigente, o grau de responsabilidade do ex-prefeito e os demais integrantes do governo quando eles dizem que não sabiam o que ocorria num contrato de cifras milionárias.

 

Trio que integra comissão vai pedir ajuda ao promotor Sérgio Clementino, mas já adianta que relatório caminhará no sentido de apontar omissão e irresponsabilidade por parte do ex-prefeito ao dizer que não sabia de nada

Para o vereador Renato Pupo, delegado de Polícia, não resta dúvidas de que a omissão, no caso, caracteriza responsabilidade solidária no âmbito civil. “Não cola mais esse ‘eu não sabia’ quando se pergunta, entre outras coisas, por que a Prefeitura pagava pela limpeza de 900 bocas de lobo mensalmente sem a certeza de que o previsto estava de fato acontecendo”.

A CPI não tem o poder de impor punição ou algo do tipo. O relatório, se caminhar mesmo para a denúncia de responsabilidade civil, segue para o Ministério Público que dará o encaminhamento.

Seja qual for a conclusão do relatório da CPI, o fato é que um prefeito não tem mesmo como saber de tudo, mas precisa deixar bem claro quem deve saber e dar as devidas respostas do que foi feito com o dinheiro do cidadão. Simples assim.

 

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