Conexão Capivara: O perigo está no Whats

As chamadas fake news, ou notícias falsas, se tornaram uma das maiores preocupações em relação às eleições de outubro. Centrais de boatos calculadamente construídos não são novidades nas disputas eleitorais Brasil afora e existem desde que o primeiro marqueteiro (profissional ou não) começou a dar as cartas nesse jogo intrincado de capturar mentes e corações dos eleitores.

Mas até a impactante revolução digital em curso, que não deixou pedra sobre pedra em termos de comportamento da raça humana, a guerra do boato eleitoral se utilizava de armas menos devastadoras, como o sujeito plantado nos balcões dos botecos puxando assunto de política ou o passageiro indignado e falastrão dentro do ônibus urbano. E também a senhora bem articulada que se juntava aos grupos de mulheres de bingo ou nas reuniões de orações da igreja.

Ou seja, fake news é um nome moderno para uma velha estratégia das raposas políticas, mas que se tornou brincadeira de amador diante do poder de disseminação que o universo digital, em especial as redes sociais, incluindo o Whatsapp, consegue. Aqui, as fake news ganham o poder avassalador de uma bomba nuclear. Haja vista as últimas eleições norte-americanas.

Diante deste cenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já começa a arregimentar o Ministério Público, a Polícia Federal e outros orgãos de combate a crimes eleitorais no sentido de se criar mecanismos de fiscalização e punição a candidatos que lançam mão do expediente. A ideia é criar até março uma lei específica com a colaboração do Google e do Facebook.

Ainda assim, especialistas acreditam que pouco se pode fazer do ponto de vista burocrático, embora as medidas sejam fundamentais. Uma das mais didáticas análises neste sentido vem do ex-jornalista André Pontes, hoje voltado para o marketing e que já contabiliza quatro campanhas eleitorais, entre as quais a de Marina Silva em 2014. André, jovem que desponta como um grande estudioso na área, defende a conscientização como alternativa eficiente de combate à fake news.

Isso porque, segundo ele, o disseminador de maior potencial de estrago é o Whatsapp, meio muito mais complicado de se controlar do que redes sociais como o Facebook, Instagran e Twitter. “O Brasil é um país que usa muito o Whatsapp, fica atrás apenas da Índia, e é aí que mora o perigo. Uma coisa é rastrear o Facebook e o Google. Outra é monitorar o Whatsapp. Ninguém gostaria de ter suas mensagens de celular monitoradas, nem eu”, diz ele.

Por isso, segundo Pontes, existem hoje no Brasil equipes de inúmeros políticos e candidatos voltadas exclusivamente para esse trabalho: a disseminação de vídeos, áudios, boatos e brincadeiras. São agências em que os integrantes da equipe comandam chips com nomes falsos. Essas pessoas se infiltram em grupos, formando pirâmides e disparando as fake news que chegam ao celular do cidadão comum. Estas construídas cuidadosamente por profissionais de marketing.

O cidadão, achando que é brincadeira de alguém criativo ou engraçadinho na hora de folga, acaba fazendo o resto do trabalho (veja quadro). “Por isso, é preciso pensar muito bem antes de compartilhar uma mensagem que você recebeu”, diz ele. Diante deste cenário, mais que nunca o jornalismo profissional, onde os profissionais e/ou as empresas para as quais trabalham estão expostos, se torna fonte fundamental de informação séria.

 

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste domingo (21)

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