Conexão Capivara: O novo afilhado de Alckmin

Quando o PT se viu na penúria em termos de quadros, isso lá nos tempos do mensalão, Lula, ainda surfando numa popularidade recorde, mostrou seu poder de reinvenção tirando da cartola gente fresquinha na política, como Dilma Rousseff e Fernando Haddad, ambos com o verniz intelectual de universidades como a UFMG e a USP, respectivamente. Apesar da militância política história, ela era virgem nas urnas. Saiu vencedora duas vezes (2010 e 2014) e todos sabem como esta história acaba. O segundo virou prefeito de São Paulo (2012) e hoje é visto como plano B dos petistas na disputa à Presidência.

O governador tucano Geraldo Alckmin sacou logo a eficiência da estratégia da “renovação”, especialmente depois que a Lava Jato arrastou não só Lula, mas também políticos de todas as searas, inclusive do PSDB, multiplicando o ranço da população à “categoria”. Seguindo a cartilha do petista, Alckmin ignorou figurões do partido e bancou João Dória, o “não-político”, para a Prefeitura de São Paulo no ano passado. Deu certo, embora a criatura tenha logo em seguida se voltado contra o criador.

E antes que o monstro crescesse demais, Alckmin apelou à cartola de novo e de lá tirou o intelectual Felipe d’Avila, colocando-o na arena partidária em uma briga que tem, além de Dória, o senador José Serra, um inimigo íntimo de longa data e traumáticas disputas domésticas.

Ontem em Rio Preto, Felipe d’Ávila mostrou um discurso ensaiadinho no sentido de atender ao eleitorado que prega o “novo”, mesmo que esse novo seja um Bolsonaro, na política há 20 anos. E que atenda também aos anseios do empresariado, que não curte muito o pessoal da velha guarda tucana, com visão esquerdista demais para o gosto da classe. “Sigo, portanto, com essa bandeira da renovação da política e com uma proposta de desburocratizar o Estado, deixando-o mais leve e preparado para ajudar os empreendedores a gerar renda, emprego e mais exportação para o nosso Estado”, discursou em entrevista.

Quanto a ir para a briga de cachorro grande dentro do partido, ele parece não temer o enfrentamento. “Certamente vai ter prévia porque eu irei até o fim. Acho a prévia um mecanismo importante de fortalecimento da candidatura, de legitimação e de união do partido.” E que ninguém o subestime. Se Felipe d’Avila não tem capilaridade dentro da máquina tucana Interior afora, seu padrinho, o agora presidente nacional do PSDB, tem tentáculos poderosos.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste domingo (17)

 

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS