Conexão Capivara: O criador e a criatura

Pesquisa Ibope divulgada na terça-feira (18) realça aquilo que já se esboçava desde a semana passada: a polarização entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) deve levar ambos ao segundo turno.

De acordo com os dados, o capitão da reserva aparece com 28% das intenções de voto, seguido do petista com 19%. Haddad já se descolou de Ciro Gomes (PDT), que está com 11%. Em seguida aparecem Geraldo Alckmin (PSDB), com 7%, e Marina Silva (Rede), com 6%. Álvaro Dias (Podemos), João Amoêdo (Novo) e Henrique Meirelles aparecem empatados com 2%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Nos cenários para segundo turno, Ciro é o único que numericamente bate Bolsonaro – 40% a 39% -, mas dentro da margem de erro. Já quando o embate é com Haddad, o resultado é um empate em 40%. Outro dado importante da pesquisa é o índice de rejeição, que costuma pesar mais especialmente numa disputa polarizada no 2º turno. Bolsonaro continua mal neste quesito, com 42%. Haddad tem menor rejeição e fica na casa dos 29%.

A 17 dias da eleição, é pouco provável que o cenário se altere drasticamente. Os números das pesquisas, aliás, não são muito diferentes dos levantamentos pré-campanha, com apenas dois fatos relevantes. O primeiro é a ascensão de Haddad que aparecia na casa dos 3% quando havia alguma expectativa de que a candidatura de Lula vingasse. O segundo ponto notável foi a queda expressiva de Marina Silva, que aparecia isolada em segundo lugar nas pesquisas e agora foi ultrapassada até por Alckmin.

Duas lições também podem ser tiradas a partir deste cenário. O horário eleitoral gratuito, pelo jeito, teve sua importância bastante esvaziada. Bolsonaro, com oito segundos, conseguiu crescer nos levantamentos, enquanto Alckmin – com maior fatia de tempo no rádio e na TV – patina entre 6% e 7% da preferência do eleitorado. Outro aspecto é que a eleição do próximo presidente do País, num possível segundo turno entre Bolsonaro e Haddad, será decidido não entre petistas e antipetistas: mas por aquela parcela da população que não se enquadra neste Fla x Flu. Os votos petistas, claro, já estão com Haddad, enquanto Bolsonaro reúne quem rejeita o partido. É nesse espectro cinza que os dois terão de brigar.

O curioso é que o capitão da reserva é uma cria do petismo. Ele só ganhou relevância política, após quase três décadas de mandato no Congresso, a partir do momento em que deu voz ao discurso contra o Partido dos Trabalhadores e a tudo aquilo que ele representa. Sem as barbeiragens do PT, especialmente no governo Dilma Rousseff, dificilmente Bolsonaro teria uma mínima chance de ser presidente do País. O capitão soube como ninguém captar o espírito e a rejeição que os petistas causaram em boa parcela da população nos últimos anos.

O segundo turno deve colocar criador contra criatura. A conferir.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quinta-feira (20)

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