Conexão Capivara: “O Brasil não é para amadores”

Os números da pesquisa Datafolha publicada no jornal Folha de S.Paulo no domingo (1º) são de dar nó na cabeça até mesmo dos mais familiarizados com a política. Daí que tentar traduzi-los ao cidadão comum virou tarefa árdua entre articulistas, analistas e profissionais da imprensa em geral. Clóvis Rossi, um dos principais jornalistas políticos do País, resgatou do nosso baú de preciosidades a melhor frase para dimensionar o tamanho da encrenca: “O Brasil, definitivamente, não é para amadores”.

Afinal, como entender, e explicar, Lula com 35% da preferência do eleitorado, líder isolado entre os aspirantes à sucessão de Michel Temer? O mesmo Lula que, na mesma pesquisa, viu sua rejeição cair depois de condenado à prisão na Lava Jato (em apenas um dos processos) e se viu alvo de denúncias gravíssimas partindo de Antonio Palocci, um petista de primeira hora e não mais um adversário querendo destruí-lo. O mesmo Lula que 54% do eleitorado querem ver preso, de acordo com a mesma pesquisa.

Para quem não teve contato com os números, Jair Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 16% dos votos, seguido de Marina Silva, com 14%. Ou seja, quando são somadas as intenções de voto em Lula e Marina (quase 50%), a amostra também não traduz a sensação de uma onda de direita tão avassaladora como sugerem as redes sociais.

Talvez uma das melhores explicações venha dos números do PSDB, que parece sofrer com a falta de um nome de alcance nacional depois do desmanche de Aécio Neves, também afundado na lama da Lava Jato e, no momento, afastado do Senado por pedir dinheiro aos irmãos Batista. Quando colocados separados nas simulações para 2018, Geraldo Alckmin e João Doria aparecem com exatos 8%. Juntos, ou seja, no caso de um deles trocar de partido, o governador paulista soma 9% e o prefeito de São Paulo chega a 7%. Isso mostra que um não transfere voto para o outro quando fica fora da simulação.

Para o analista Celso Rocha de Barros, também na Folha de S.Paulo, a falta de um nome com a força de Lula, o desencanto total com Temer, que aparece como presidente com o menor índice de aprovação da história (5%), e a sensação generalizada de que “político é tudo sujo igual” conspiram a favor de Lula, mesmo com a Justiça prestes a tirá-lo do jogo por suas estripulias.

Clique aqui e confira na íntegra a página Conexão Capivara desta terça-feira(03).

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