Conexão Capivara: O arranjo

Para quem acompanha a Conexão Capivara, a demissão de Marcos Apóstolo e a nomea-
ção de Amaury Hernandes para a Secretaria de Trânsito, ambas formalizadas na tarde desta sexta-feira (29), não foram novidades. O assunto já era dado como favas contadas há um mês. O que pegou muita gente de surpresa foi o tempo, já que a saída de Apóstolo para auxiliar na campanha de Eleuses Paiva (PSD) a deputado federal deveria ocorrer apenas em agosto.

Pesou na decisão do agora ex-secretário de Trânsito a fritura que ele sofria há mais de um mês e a certeza de que ele iria deixar a pasta. É aquela velha máxima do rei morto, rei posto: Apóstolo já não tinha condições de exercer o comando da secretaria nem se
impor mais, já que sua demissão era tida como certa. Resolveu, então, antecipar o inevitável.

A nomeação de Hernandes faz parte do arranjo de dar mais espaço ao PR de Fabio Marcondes dentro do Executivo e tirar espaço do PSD. Hernandes, aliás, já era considerado há muito tempo secretário de fato, apenas não de direito, justamente por cuidar de todas as questões executivas ligadas à pasta. O acerto inclui a indicação de um nome do PR para o lugar de Hernandes e mais outro apadrinhado do partido dentro da Secretaria de Trânsito. Por enquanto, ainda não há previsão de troca no comando da Guarda Municipal – que está no guarda-chuva do Trânsito -, mas há a possibilidade de isso ocorrer.

Além de acomodar o PR, com poder de fogo e com voz ativa dentro do Trânsito, a saída de Apóstolo enfraquece o PSD dentro do governo, já que Apóstolo era um nome indicado pelo
partido. É um aceno claro aos vereadores Jean Dornelas (PRB), Paulo Pauléra (PP) e Anderson Branco (PR) que vivem às turras com Renato Pupo (PSD) e defendiam um encolhimento do poder do PSD dentro do Executivo.

Hernandes hoje é filiado ao MDB de Edinho Araújo e ficará no cargo como um nome de confiança do prefeito. Havia a especulação de que ele pudesse se filiar ao PR, mas isso agora não está sendo cogitado. Com uma simples troca de peças, o prefeito conseguiu, ao menos por enquanto, contemplar seus aliados dentro do Legislativo. Se não da forma
como queriam, com cargos de primeiro escalão, ao menos dando mais força a um – Marcondes -, ao mesmo tempo em que reduz a força do PSD de Pupo.

O arranjo ainda não está totalmente completo: a segunda parte envolve a presidência da
Câmara, que será definida em dezembro. Parece distante, mas as peças já estão todas no tabuleiro. A conferir.

 

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste domingo(01)

 

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