Conexão Capivara: O apresentador e o governador

Muita gente dentro do meio político estranhou a pressa do governador Geraldo Alckmin (PSDB) em anunciar sua pré-candidatura a presidente da República. É só lembrar que, em 2006, quando disputou contra Lula também, o tucano fez mistério sobre sua candidatura até semanas antes de se desincompatibilizar, em abril daquele ano.

Em uma disputa eleitoral, quando se trata de uma figura conhecida, a estratégia política recomenda a preservação da imagem. Quanto antes se afirmar como candidato, mais desgaste o político vai acumular. É o que fez, por exemplo, Luciano Huck, que encenou estar fora da disputa para evitar desgastes desnecessários no momento. Alckmin pode ser acusado de tudo, menos de ser apressado. Mas desde o ano passado tem aparecido nas redes sociais com a hashtag #preparadoparaobrasil, o que deixa clara suas intenções de ser presidente do País.

A pressa do tucano tem motivo. Há um acordo dentro dos partidos de centro/direita que Alckmin será o candidato do grupo. Com a condição de que sua candidatura decole até abril. E decolar é se posicionar melhor nas pesquisas eleitorais qualitativa e quantitativamente. Essa foi a condição imposta a ele para que partidos importantes, como PSD e DEM, embarquem de cabeça na campanha e banquem seu nome. Por isso o quase desespero do governador de ser afirmar candidato e tentar se viabilizar.

Caso isso não aconteça, há a possibilidade real de que esses partidos embarquem na candidatura de Luciano Huck. Sim, o nome do global continua sendo levado muito a sério e uma opção viável para os partidos que querem fugir da polarização Lula-Bolsonaro. Para dar o verniz técnico a Huck, seu vice seria ninguém menos que o atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD). Meirelles, aliás, já se colocou como pré-candidato a presidente, mas poderia entrar como vice em uma composição com Huck. Ou até Alckmin.

Claro que o atual governador poderia se lançar mesmo sem o apoio de outros partidos e contra uma eventual candidatura de Luciano Huck, que todos apostam como sendo o outsider da vez. Mas correria o sério risco de sequer ir ao segundo turno e, pior que isso, ter sua campanha esvaziada. Afinal, o apresentador e o governador brigariam praticamente pelos mesmos votos.

Por isso a pressa de Alckmin em se mostrar viável o quanto antes. O tempo hoje é inimigo do tucano. Na última pesquisa eleitoral, por exemplo, ele aparece com apenas 6%, bem atrás de Lula e Bolsonaro. Se ele não reverter esse cenário, perderá aliados importantes. E pode perder até a vaga de ser a opção de centro/direita à polarização que hoje domina esse grande boteco chamado Brasil.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta sexta-feira (19)

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