Conexão Capivara: Nova polêmica à vista

A Secretaria de Saúde de Rio Preto planeja passar para as universidades de medicina a administração de unidades de saúde da cidade. E já deu o primeiro passo concreto neste sentido. Há duas semanas, representantes da Famerp, Faceres e Unilago foram chamados para tomar conhecimento do projeto que está em gestação na pasta. E uma primeira fagulha de insatisfação aponta polêmica das grandes à vista.

A Unilago, instituição privada que hoje coloca seus alunos para estágio de campo nas unidades da Prefeitura sem nenhuma contrapartida, não gostou da ideia e disse que não se interessa pelo novo modelo. Por isso, a menos que volte atrás, o acordo existente hoje com o município vai só até novembro. “Eles nos pediram esse prazo e achamos justo”, disse à coluna o secretário de Saúde, Aldenis Borim.

E qual é esse novo modelo desejado pela secretaria? Aldenis explicou que a ideia é implantar em Rio Preto parcerias com as universidades no mesmo formato das que existem em municípios como Ribeirão Preto, Botucatu e São Paulo, onde os convênios exigem contrapartida das instituições.

Segundo Aldenis, a secretaria continua como gestora da unidade, mas a administração passa para a universidade. “Esse novo modelo amplia a responsabilidade da instituição parceira, que passa a operar com metas de atendimentos e índices de resolutividade”, disse o secretário. Em Rio Preto, são três tipos de unidades: emergências (UPAs), unidades básicas (UBSs) e centros de especialidade (ARE, reabilitação e outros). “Pretendemos começar pelas UPAs e equipes de Saúde da Família”, diz Aldenis.

O secretário afirmou ainda que o formato de parceria será único para todas as instituições. Isso significa que se a Unilago não aceitar os novos termos poderá se vincular a outros tipos de serviços, como o Saúde da Família, mas não às unidades de atendimento. “À primeira vista, eles (Unilago) disseram não, mas deixamos em aberto para que reavaliem,” disse o secretário. A divisão de unidades entre as universidades da cidade seguiria uma demarcação geográfica que já existe hoje: A Famerp na região sul, imediações da Vila Toninho; a Faceres ficaria com a área da UPA Norte e caberia à Unilago o setor da UPA Tangará.

De todo jeito, o assunto deverá render pano para a manga. Aldenis não definiu, por exemplo, como ficará o RH (recursos humanos) destas unidades de saúde e será inevitável a grita em torno do que caminha, sim, para uma terceirização do serviço. Do lado do usuário, uma coisa é certa: se o atendimento é de qualidade e sem prejuízo para os cofres municipais, poucos se preocupam se quem o faz tem crachá da Prefeitura ou de uma faculdade.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta terça-feira (17)

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