Conexão Capivara: “Nós podemos voltar ao momento da intervenção militar”

Foto Guilherme Batista

O empresário Marco Casale, candidato a deputado estadual pelo PSL de Jair Bolsonaro, é um neófito na política. Em menos de um ano de atuação, passou por dois partidos – o Podemos e o PSL – e insiste no discurso de que é preciso renovar o cenário atual com políticos que representam o novo.

Em entrevista concedida à Conexão Capivara nesta quinta-feira (13), Casale se disse alinhado com as ideias de Bolsonaro e afirmou que só decidiu se lançar à Assembleia porque o capitão da reserva é candidato a presidente da República. No seu entendimento, o País vive hoje um momento parecido com o de 64, quando os militares tiraram João Goulart do poder e assumiram o País por 20 anos. Para Casale, foi “uma contemplação divina”. “O governo dominado pelos militares corrigiu todos os problemas que nós tínhamos”, que rejeita nomear o período como sendo uma ditadura. Afirmou que, caso não seja eleito um presidente capacitado, o Brasil pode voltar a sofrer nova intervenção militar.
O candidato se disse ainda contra a legalização do aborto, da descriminalização das drogas e defendeu o porte de arma para o cidadão comum. Confira abaixo trechos da entrevista com Marco Casale.

O senhor nunca tinha sido candidatos a nenhum cargo eletivo. Essa é a sua primeira eleição. O senhor resolveu entrar nessa disputa aí pra surfar na onda Jair Bolsonaro?
Marco Casale – Dependia de quem estaria compondo a nossa chapa para presidente, porque eu tenho um alinhamento com a ética e ele representa o que hoje a nossa sociedade precisa. Então isso nos motivou e inclusive esse convite veio a partir da chegada dele pra assumir o comando do nosso PSL. Nós já estávamos um pouco antes no partido, mas ele chegou inclusive e determinou todas as diretrizes novas aonde nós nos propusemos a seguir. Então isso é obviamente é uma responsabilidade muito grande, tentar trazer apara a política o alinhamento do Jair Bolsonaro.

Tem um vídeo postado no Facebook de um evento do PSL em que o senhor fala que a vida era melhor durante a intervenção militar, que na verdade se revelou uma ditadura. Flertar com regimes de ditadura de esquerda ou de direita não é algo muito perigoso nos dias de hoje?
Casale – Hoje nós vivemos um momento de economia de falta de segurança e de confiabilidade. Se falar em termos de história do Brasil, vamos comparar o momento que estamos vivendo hoje na pré-intervenção militar. Você sabe que obviamente políticos de esquerda, políticos com pensamento socialista, dizem que foi uma ditadura. Na verdade nós tivemos uma intervenção militar sugerida por quem? A sociedade, principalmente partindo das mulheres e da própria classe produtiva, começou a trabalhar contra a implantação do socialismo. O próprio Congresso no início de abril, atendendo a esse clamor popular, que inclusive foi apoiado pela grande mídia. Tem sido cômica a postura de uma certa emissora aí negando o apoio dos jornalistas do Roberto Marinho….

Apoio do dono da Globo, e não dos jornalistas.
Casale – Nega esse momento, mas o que houve naquela época é que o Congresso destituiu o João Goulart, que foi mais ou menos no dia 2 de abril. Dia 9 de abril elegeu um militar e esse era o clamor popular.

Mas não foram mantidas as eleições diretas e foi editado o AI-5, que tirou liberdades do Congresso. Então não dá pra dizer que isso não é uma ditadura. Seria negar a história, negar os fatos.
Casale – Mas quando você perde o domínio da situação e você precisa passar por um momento de austeridade…

Por 20 anos?
Casale – Alguém reclamou desse momento? Eu participei.

Quem reclamou morreu nos porões da ditadura.
Casale – Tá. Mas o governo dominado pelos militares corrigiu todos os problemas que nós tínhamos, teoricamente. Óbvio que cada um tem um posicionamento. Mas eu entendo que, no momento em que o País já vivia numa bonança cultural e econômica, a população pediu a volta (das eleições diretas). Eu participei desse movimento, inclusive em 84, o Diretas Já. E qual foi a postura dos militares nesse momento? Foi permitir o retorno da eleição democrática. Então nós tivemos a felicidade de sermos governados nesses 20 anos por pessoas de boa índole e que se dedicaram para isso. Eu não conheço nenhum desses generais – Ernesto Geisel, João Batista Figueiredo – que morreram enriquecidos. Então houve acho que até, vamos dizer, uma contemplação divina que nós saímos de um momento de socialismo e vivemos a intervenção militar, que foi sugerida pela sociedade. Só que hoje, se você comparar, nós estamos beirando esse momento novamente. Se você perceber, já existem movimentos na sociedade intervencionista. Essa eleição é a hora de o nosso eleitor tomar ciência e saber que nós estamos num momento eleitoral decisivo. Se nós não colocarmos lá pessoas que prezam pela vida, pela ética e capacitados a governar, nós podemos voltar ao momento da intervenção militar.

Então, na lógica do senhor, não tem saída? Ou elege um militar ou os militares, se não ganharem, fazem a intervenção militar?
Casale – O eleitor tem que ter a capacitação, hoje a informação ela é muito rápida. Qual é o momento que nós queremos para o futuro? Eu quero um momento democrático, mas com pessoas capacitadas. Eu, inclusive, fui escolhido para representar o partido em São José do Rio Preto pela minha capacitação profissional e pela minha conduta ética. Eu vejo na política a maioria dos partidos, se engalfinhando para se manter no poder. Mas eu não vejo pessoas capacitadas a administrar uma nação. Eu vejo, por exemplo, no governo Jair Bolsonaro princípio, ética e austeridade. Não tem isso na maioria dos candidatos. Vejo capacitação em alguns, mas as pessoas de bem e capacitadas estão se unindo ao candidato Jair Bolsonaro porque ele tem princípios e ele preza por isso. Ele não se alia a qualquer um por troca de algum favor.

Preocupa quando o senhor fala sobre candidatos capacitados, isso é um sentimento muito pessoal. O senhor pode achar que alguns candidatos são capacitados, outra pessoa pode achar diferente. A democracia é justamente isso, a vontade do povo. Não é perigoso o senhor ou qualquer outra pessoa falar quem merece se eleito e, se não for ele o escolhido do povo, vai haver intervenção militar?
Casale – Em momento algum eu falei pra você que nós temos que ter uma intervenção militar. Eu justifique o momento em que nós passamos pela intervenção. No processo atual quem decide é o povo. Para isso que estamos num processo eleitoral agora. A democracia permite o povo escolher. Agora nós temos que estar capacitados e temos hoje, para qualquer classe social, a facilidade da informação. Nós temos candidatos dentro do partido que divergem de opiniões com o Jair Bolsonaro. Eu também divirjo de algumas situações. Porém eu entendo que o eleitor nesse momento tem que procurar as pessoas mais capacitadas. Então cabe ao eleitor, nesse momento, que é democracia, saber escolher. Mas saber escolher as pessoas capacitadas principalmente pautadas em ética e em austeridade. Nós não vamos mudar a situação de um País com blá, blá, blá ou ideologismo.

Nós temos dois candidatos a deputado federal aqui de Rio Preto já conseguiram arrecadar mais de R$ 1 milhão com dinheiro do partido. De onde virão seus recursos? O PSL vai contribuir?
Casale – Eu obviamente não estou no clube do milhão. Já sabia que não estaria porque, por imposição do partido, quem se lançasse já saberia que não teria verba do fundo eleitoral. Esse fundo eleitoral foi um dinheiro extorquido pela classe política da população. Obviamente Jair Bolsonaro votou contra esse projeto porque R$ 1,7 bilhão deixou de ser entregue na creche e no posto de saúde. Eu já sabia que não estaria disponível esse valor para mim, então já me preparei para isso, inclusive declarado no meu registro pra candidato que eu teria disponibilidade pessoal de investimento de R$ 50 mil para a campanha. É o que eu me propus a entregar pessoalmente nessa minha luta, e mais algumas contribuições voluntárias através de vaquinha virtual. Nada extorquido do eleitor. Eu acho que faz parte de um projeto novo de política.

O senhor é uma figura nova no cenário político tanto nacional quanto regional e a gente percebe que existem vários nomes novos também tentado uma vaga nessas eleições. Como o senhor tem sentido a reação do eleitor junto a todas essas novidades? E nos fale também das suas propostas para os jovens.
Casale – Eu pretendo dar condições aos jovens que têm hoje uma motivação para lutar por um País novo. Dentro dessa nossa política eu estou recebendo uma imensidão de jovens voluntários se propondo a contribuir pela campanha, pelo nosso projeto para um Brasil melhor. Obviamente a gente precisa de renovação. Eu entendo que os novos que estão na política não fazem parte do clube do milhão. Será uma dificuldade imensa pra se eleger. Essa dificuldade é nossa também, mas que todos têm que contribuir. O que eu peço ao eleitor é que pesquise os novos. Porque os velhos já estão aí derramando dinheiro no mercado pra tentar se manter no poder, e os novos estão com conhecimento, com poder pra tentar mudar alguma coisa nova. Então existe o Casale novo, existe o político novo, eu concorro aqui com onze candidatos e não vejo nenhum que já se postulou como novo…

Onze só de Rio Preto, né? O senhor concorre com os candidatos do Estado todo, na verdade.
Casale – Isso. Justamente. Mas na situação de Rio Preto, eu concorro com o novo que na verdade é patrocinado pelo velho, né? Eu não tenho pai político pra me manter na política ou me preservar.

O senhor está falando do Edinho Filho, filho do Prefeito Edinho Araújo?
Casale – Sim. Eu inclusive fiz uma pergunta para ele e ele disse que acha que é o novo, né? Na verdade ele representa o velho. O novo é o Casale, que representa novas ideias.

“O senhor veio do partido Podemos e aí o senhor migrou recentemente para o PSL como candidato a deputado estadual. Como você vê essa questão tão repentina de apoio ao Jair Bolsonaro?” (pergunta do candidato a deputado estadual pelo PR Anderson Branco)
Casale – A minha atuação na política se iniciou há um ano e meio. Tenho uma construtora com 30 anos de fundação, séria em São José do Rio Preto. Sou nascido aqui, que seria a menina dos olhos de qualquer político, porém a minha empresa nunca dependeu de obras públicas. Sou muito bem relacionado a uma das pessoas que é líder do partido do Anderson Branco na Câmara Federal, que seria um chefe dele. Esse relacionamento político nos trouxe a necessidade de trazer alguma coisa nova para Rio Preto. Trouxemos em dezembro do ano passado o Álvaro Dias (Podemos), que é candidato a presidente. Uma pessoa que eu considero já antiga na política, mas que trata de uma forma diferente e respeitosa. Porém a atitude do partido não nos interessou. O mesmo de sempre. Em janeiro deste ano nós fomos procurados por outras pessoas que já haviam se desligado do Podemos por esse mesmo entendimento. Esse convite nos interessou porque o partido era pequeno, sem muita atividade. Sou um político muito mais novo do que ele (Anderson Branco) que tem um cargo de vereador e minha atuação política se iniciou praticamente em janeiro de 2017. Janeiro de 2018 nós passamos a representar o PSL e essa é a minha história política.

O senhor está num palanque de direita. Se julga um candidato de direita?
Casale – Sim.

Opinião do senhor sobre o aborto.
Casale – Sou contra qualquer possibilidade de aborto além daquelas três que a lei já estabelece.

União homoafetiva.
Casale – Posicionamento individual. Eu respeito a individualidade. Tenho vários amigos e casais gays que convivem comigo no dia a dia que podem falar quem é o Marco Casale em relação a essa tratativa.

Descriminalização do uso da maconha como uma forma de conter a criminalidade do tráfico.
Casale – Sou contra.

Armar a população.
Casale – Devolver o direito à defesa. Sou totalmente a favor.

Programas sociais como o Bolsa Família.
Casale – Isso está na lei. É direito adquirido. Deve ser mantido e melhorada a sua gestão.

Privatizações como Banco do Brasil, Correios, Petrobras e Caixa Econômica Federal.
Casale – Eu como sempre vivi da iniciativa privada sou plenamente a favor da privatização. O governo tem que fazer a regulação dos setores.

Por que o senhor acha que merece o voto do eleitor?
Casale – Essa é a minha primeira entrada na política. A convite do partido que eu represento, do Jair Bolsonaro, mas tenho minhas convicções. Ao longo da minha vida profissional fui um realizador de projetos e tenho o meu trabalho como representação. Se for escolhido para representar São José do Rio Preto e o Estado de São Paulo, vou atuar principalmente na gerência do Estado. Na desburocratização, porque todos dizem que é a política ou que são os políticos que são corruptos. Na verdade o excesso de burocratização é que promove a corrupção. Então, sou pautado na gestão, na ética, na família, me considero conservador, e, na economia liberal.

 

 

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