Conexão Capivara: ‘Não podemos confundir políticos com corruptos’

Foto Guilherme Batista

Em busca do seu primeiro cargo eletivo, a candidata a deputada federal Gisela Mariana (PTB) não é exatamente uma novata na política. Advogada, ela trabalhou na assessoria jurídica do PSD em Brasília e foi lá que veio a vontade de sair dos bastidores e procurar os holofotes. “Nós não fazemos nada sem a política. Mas nós não podemos confundir políticos com corruptos. Isso que é feio. Isso que a gente não aguenta mais. É isso que nós estamos cansados, nós queremos a renovação por isso, porque não está bom pra ninguém”, afirmou Gisela.

Ela resolveu se lançar à Câmara dos Deputados após convite do cacique do PTB Campos Machado. Mas disse que sua veia política tem origem no seu avô: “Ele foi um dos fundadores do PTB no município de Tanabi e ele realmente era um homem progressista”, afirmou.

Dhoje Interior

Na série de sabatinas feita pela Conexão Capivara com candidatos a deputado federal por Rio Preto, Gisela disse ainda falou ainda sobre feminismo, aborto e armamento da população. Confira trechos da entrevista abaixo.

Nós tivemos um recorde em Rio Preto de candidaturas femininas neste ano e a gente sabe que isso se deve muito por conta da legislação eleitoral. A candidatura da senhora em função dessa necessidade de cotas ou é uma candidatura pra valer mesmo, competitivo?
Gisela Mariana – Na verdade, eu acredito que as mulheres chegaram até aqui por suas conquistas. De alguma forma, nós conquistamos esse espaço de 30% de cotas, ninguém nos deu, nós conquistamos. Então independente dessa ser uma realidade, eu tive um convite pelo deputado estadual e secretário geral do PTB, o deputado cacique Campos Machado, e ele me convenceu, me conquistou a participar dessas eleições. Principalmente porque é um momento novo, de renovação, e a mulher tem uma grande sensibilidade pra participar da política. Nós precisamos conversar com a população, precisamos ver na nossa cidade, na nossa região, no nosso Estado, quais são os anseios, porque isso não está sendo feito de forma efetiva e ele acredita que eu posso colaborar muito com isso. Ele é uma pessoa amiga, querida e tem muito a me ajudar.

A senhora teve R$ 50 mil destinados pelo PTB à sua campanha. Esse dinheiro é suficiente? Esse valor, comparado ao de outros candidatos que receberam muito mais, faz entender que o partido não acredita tanto na sua candidatura?
Gisela – O partido me concedeu esse valor e me concedeu, fora isso, todo o material de campanha e toda a estrutura necessária pra comunicação. O partido foi extremamente leal, principalmente o deputado Campos Machado. Eu acredito que se nós fizermos campanhas honestas como deveria ser, um contato direto com a população, conversar e explicar as nossas vontades, dá perfeitamente. O que às vezes a gente não consegue é concorrer com valores tão absurdos perante os nossos. Eu acredito que o dinheiro não é tudo nessa vida, então cada um faz com aquilo que tem. Eu fiz a minha campanha, tenho orgulho de dizer que faço uma campanha honesta e faço uma campanha mostrando o meu amor por gente, por pessoas, que é isso que eu quero. Quero ter contato com o povo e descobrir os anseios e levar as necessidades pro Congresso Nacional, que é um dever de um deputado federal, fazer o processo legislativo, fiscalizar e realmente ver se aquilo está sendo executado. Porque só você destinar verbas não adianta. Você precisa fiscalizar. Esse é o trabalho verdadeiro de um deputado.

A senhora é de direita ou de esquerda?
Gisela – Eu não sou nem exatamente de esquerda, nem de direita. Eu concordo com algumas teorias da esquerda, acho linda, mas eu percebo que ela não é executada em nenhum país do mundo. Ela não consegue ser convincente, entendeu? A teoria com a realidade não existe e a direita, às vezes pra mim, excede um pouco. Tem várias coisas que eu concordo, mas eu ainda acredito que a virtude está no centro. Eu prefiro muito mais o equilíbrio.

O que a senhora acha do movimento feminista?
Gisela – Eu acho que elas têm boas ideias, mas eu acho radical. Eu gosto muito da união, eu não gosto da divisão. Eu acho errado essa história de homens contra mulheres, mulheres contra homens, empregados contra seus patrões. Eu acho que, se nós nos unirmos, seria muito mais interessante, principalmente na política. As necessidades são inerentes a todo ser humano. Nós queremos sim saúde, nós queremos sim educação, nós queremos muito emprego, nós temos muito desempregados hoje. Nós estamos levando essa vertente pro lado errado. Nós precisamos nos unir pra exigirmos do nosso Congresso, do nosso presidente, dos nossos vereadores, dos nossos prefeitos. Todos nós queremos um país melhor, mas nós precisamos exigir um país melhor. Se a gente se divide tanto assim a gente não consegue.

Mas não é justamente isso que o movimento feminista faz? Unir para exigir direitos iguais aos homens?
Gisela – Leva a isso, mas às vezes é um pouco agressivo. Aí coloca aquele embate de mulheres contra homens.

Por que a senhora resolveu entrar na política?
Gisela – Na verdade eu tenho uma veia política, porque meu avô foi um grande político na nossa região. Ele foi um dos fundadores do PTB no município de Tanabi e ele realmente era um homem progressista. Ele abriu estradas na enxada, lutou pra ter escolas, levou pra dentro da propriedade uma escola, pagou do bolso professores, levou o transporte pras crianças. É um homem muito humanizado e eu acho que isso foi crescendo dentro de mim. Certo tempo, recentemente, eu tive uma oportunidade de ser convidada pra trabalhar na Câmara Federal, como assessora jurídica e lá eu me envolvi muito com a política. Comecei a estudar muito ciências políticas e tive assim um grande prazer de conhecer de perto o que é a política e eu me apaixonei, porque a política é linda, ela é necessária. Nós não fazemos nada sem a política. Mas nós não podemos confundir políticos com corruptos. Isso que é feio. Isso que a gente não aguenta mais. É isso que nós estamos cansados, nós queremos a renovação por isso, porque não está bom pra ninguém. Nós precisamos dessa renovação.

A Polícia Federal é hoje a instituição de maior credibilidade entre os brasileiros e fortaleceu-se por ser imparcial em suas investigações. Nota-se que cada candidato a presidente tem uma ideia mirabolante para a PF, o que pode reconfigurar a instituição. Pergunto: a senhora é a favor ou contra ditar a PF de autonomia administrativa e financeira? A senhora apoiaria a PEC 412/09 que está parada no Congresso? (pergunta feita por André Luiz Previato Kodjaoglanian, delegado da Polícia Federal de Rio Preto)
Gisela – Primeiramente eu parabenizo essa instituição que teve uma atuação perfeita na Operação Lava Jato. Eu acredito que quando o juiz Sérgio Moro teve essa felicidade de levar a operação com tanta garra pra frente e fazer esse trabalho legal, foi muito considerável pra população. Eu acho sim que a PF pode e deve ter autonomia como instituição. Deveria ser melhor elaborada, porque se ela ficar na mão do Executivo, como algumas instâncias que nós temos, nós teremos problema.

Eu tenho visto no programa de governo de alguns candidatos a presidente na área de segurança pública, muitos falando em um ciclo completo. Então eu queria saber se a senhora é a favor do tal ciclo completo de polícia. Se a senhora é a favor de uma polícia única e se é a favor de uma desmilitarização da polícia. Porque o ciclo completo só funcionaria bem se a gente tivesse uma polícia de natureza civil, mas eu quero saber a opinião da senhora porque nenhum dos presidenciáveis fala como essa questão do ciclo vai ocorrer de fato. Se isso será feito por uma polícia única, se vai ser feito por uma polícia desmilitarizada ou se será feito por uma Polícia Militar. Se for por uma Polícia Militar, teremos esse ciclo completo nos moldes do que ocorria na ditadura (pergunta feita por Eder Galavotti, delegado da Polícia Civil)
Gisela – Mesmo que haja separação entre as polícias num âmbito federal, estadual e municipal, o que a polícia faz é um só trabalho. O ciclo deve permanecer o mesmo. Eu acredito que isso não prejudica o trabalho da polícia não e nem é esse realmente o problema. O problema pra mim da polícia é uma valorização, uma estrutura maior pra ela poder desenvolver o trabalho com mais facilidade e realmente eficácia.

Além de emendas parlamentares, qual projeto a senhora pretende apresentar no sentido de beneficiar a maior parte da população de Rio Preto? (pergunta feita por Wanderlídia da Silva Araújo, presidente da Associação de Bairro Santa Clara e membro dos conselhos de Habitação e Meio Ambiente)
Gisela – Meu grande projeto mesmo é trazer mais empregos pra população. Eu acredito que ninguém sem emprego pode ter dignidade. Você não tem moradia, você não tem saúde, você não tem educação, você não tem segurança, você não tem tranquilidade pra sobreviver. O que nós necessitamos hoje? Todo mundo está com problemas. Os jovens principalmente estão saindo da faculdade e não sabem pra onde vão. Nós temos uma dificuldade enorme hoje no País e isso está gerando o desgaste da economia. Isso está gerando o prejuízo total da economia do nosso País. Até prejuízo na saúde das pessoas. Nós vemos aí o maior problema na saúde hoje: as pessoas com depressão, questão emocional, que isso leva até o suicídio. Então nós temos que fazer algo pra gerar e desenvolver empregos, com parcerias com as empresas, autarquias públicas e incentivo fiscal pra que a gente possa demandar e voltar a ter empregos.

Considerando-se o emaranhado de normas tributárias (mais de 5,5 mil) do País, que criam obrigações acessórias em excesso, burocratizam a arrecadação e disfarçam estratégias de aumento de carga tributária, o que, objetivamente a senhora, enquanto deputada, fará para dar clareza e simplificar o ordenamento jurídico, melhorar a segurança do ambiente empreendedor, reduzir a judicialização e a cobrança de impostos e taxas que pesam sobre a comunidade empresarial e toda a sociedade brasileira? (pergunta feita por Paulo Sader, presidente da Acirp)
Gisela – Eu recebo esse questionamento dos grandes empresários, dos microempresários, dos pequenos empresários, de toda associação comercial. Ninguém aguenta mais pagar tantos impostos. A desoneração da folha tributária dos micro e pequenos empresários seria essencial porque nós temos hoje no país uma carga tributária muito alta. Com a atual crise que nós passamos, muitas empresas tiveram que dispensar funcionários e não conseguem recontratar, mesmo com a reforma trabalhista. Nós precisamos levar isso em consideração sim, até para melhorar a questão do desemprego, que é o que volta a trabalhar a economia do nosso País. Todo o comércio é essencial pra que volte a ter emprego, mas nós precisamos dar incentivos pros nossos empresários e microempresários. Sem um incentivo do governo, não há possibilidade.

Qual sua opinião sobre a descriminalização do aborto?
Gisela – Essa pergunta pra mim não tem dificuldade. Serei bem objetiva. Estou com Deus e não abro. E a palavra do Senhor é muito objetiva em relação a isso. Eu sou totalmente contra o aborto. Eu tenho duas filhas. A Maria Eduarda tem 17 anos. Eu tive ela antes do meu casamento com o Rodrigo, que é o pai dela. Eu nunca, nem um dia, pensei em abortar minha filha e não gostaria que ninguém pensasse isso. Eu sou objetiva e sou contra o aborto.

E a redução da maioridade penal?
Gisela – Eu sou a favor. Nosso deputado Campos Machado tem um projeto em pauta sobre isso. Eu acredito que com 16 anos você já tem bastante noção do que você faz e dos caminhos que você quer. Não que você esteja totalmente preparado para uma vida, mas você sabe o que é bom e o que é ruim, entendeu? E a gente precisa dar incentivo pras nossas crianças, pros nossos jovens, pra que eles estudem, pra que eles trabalhem e pra que eles sejam homens de bem.

A senhora é a favor do armamento da população como uma forma de combater a criminalidade?
Gisela – Primeiramente eu acredito que nós devemos armar a polícia e as Forças Armadas. Depois a gente precisa orientar a população. Se um pai de família acha interessante ter na casa dele, pra forma de combate ao crime daquele que entra na casa, pode até ser que seja interessante, pra que ele também possa promover a sua segurança, como chefe de família

Especificamente sobre privatizações da Petrobras, Correios, Banco do Brasil e Caixa Federal. A senhora vota a favor ou contra cada uma dessas empresas?
Gisela – Eu sou contra a privatização dessas empresas. Eu acho que é um bem público, é um bem pro brasileiro e nós ainda não estamos no momento de falar em privatização. Primeiramente nós devemos eliminar políticos corruptos pra que não sejam desviados mais recursos do erário público.

Por que a senhora merece o voto do eleitor?
Gisela – Quem vai decidir se eu mereço voto ou não é o eleitor. O que eu posso dizer é que eu estou aqui, porque eu quero realmente ajudar a população, trazer realmente os benefícios daquilo que a política deve fazer. Nós não podemos nos omitir mais. Política serve pra trazer o emprego, trazer a saúde pública, trazer a educação, a segurança e o transporte. Nós temos isso na nossa Constituição. Nós precisamos nesse momento é estar todos afinados pra exigirmos isso da nossa política. Não fazemos nada sem política. Poderemos ter os melhores médicos dentro dos hospitais. Poderemos ter os melhores professores e não teremos educação. Precisamos valorizar os nossos professores, porque senão como teremos boa educação? Isso é imprescindível. É por isso que eu preciso do voto de vocês, pra que a gente se una e possa trazer pra nossa cidade, pra nossa região, pro nosso Estado, as melhorias que a política traz.

 

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