Conexão Capivara: Marco Antonio, o sortudo

Toda vez que uma CPI na Câmara de Rio Preto vai ser formada, não tem como escapar da icônica passagem histórica do general Júlio César às margens do Rubicão quando, ao lado das legiões romanas, teria dito: “A sorte está lançada”. Pois desta vez, a fortuna sorriu
para o amigo de Júlio César, Marco Antonio. Marco Antonio Rillo (PT), que fque bem claro.

Responsável pelo pedido de instalação da CPI da Emurb, e contra uma probabilidade de 1/8, o petista foi sorteado para presidir a comissão que vai apurar um abecedário de supostas pilantragens e fraudes na empresa municipal.

Como pouca sorte fosse bobagem, a relatoria fcou com o vereador Gerson Furquim (PP) – outro vereador que não morre lá de amores pelo governo. Celso Peixão (PSB) fcou como integrante e José Carlos Marinho (PSB) ganhou a suplência. A composição da CPI fcou de
bom tamanho. Ainda que Rillo não morra de amores pelo governo Edinho Araújo (MDB), seu trabalho nas comissões em que participou costuma ser sério e isento. É só acompanhar os resultados das CPIs do Auxílio-Atleta e do Lixo, presididas pelo petista, que levantaram
uma série de irregularidades na Secretaria de Esportes e no contrato com a Constroeste. E antes que acusem Rillo de fazer politicagem a qualquer custo, outra comissão que ele relatou, a CPI das Obras Antienchente, saiu do nada e foi a lugar algum. Ou seja, não houve nenhum tipo de ação premeditada para desgastar a obra apenas pelo fato de ter sido construída pelo ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB), desafeto declarado do petista.

De acordo com Rillo, no emaranhado de irregularidades nos quais a Emurb está enrolada, dois pontos vão receber atenção especial. Uma delas é a destinação de R$ 350 mil
feita pela Prefeitura, com aval da Câmara, para a instalação da Área Azul Digital. Há denúncias de que parte deste dinheiro teria sido desviada para pagar o 13º salário de
funcionários da empresa municipal – o que pode levar o prefeito Edinho a responder por crime de improbidade administrativa. Outro ponto é a denúncia feita pelo empresário Wagner Costa ao Ministério Público de que uma quadrilha instalada dentro da própria Emurb vendia talões de Área Azul fraudados na praça.

Mas não para por aí: há desvio de funções dentro da empresa, suspeita de desconto irregular de cheques direto na boca do caixa e, claro, a famosa licitação da Área Azul Digital, que derrubou dois secretários de Edinho: Liszt Abdala (Desenvolvimento Econômico) e Vania Pelegrini (Emurb).

Se fosse um time de futebol, daria pra dizer que a CPI da Emurb foi bem escalada. Se ela vai fazer um jogo bonito de encher os olhos da população ou se vai sair distribuindo canelada pra tudo o quanto é lado, é a competência dos vereadores – e não mais a sorte – que vai dizer.
Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste sexta-feira(09)

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