Conexão Capivara: Lucro nas nuvens

Planilhas analisadas pela Comissão Especial de Vereadores (CEV) dos Combustíveis, que vai apresentar relatório final na próxima quinta-feira (1), mostram que a margem de lucro dos postos de combustíveis é o mais forte indício para justificar os preços altos da gasolina e do etanol em Rio Preto.

O levantamento é extenso e realizou comparações diretas com outras quatro cidades da região: José Bonifácio, Mirassol, Olímpia e Votuporanga. De junho a outubro de 2017, Rio Preto aparece quase sempre com o combustível mais caro em comparação a esses municípios. E, o que não é coincidência, também com a maior margem de lucro dos postos em relação ao que é pago às distribuidoras.

Para o leitor ter uma ideia, em junho de 2017 os postos de combustível de Rio Preto pagaram às distribuidoras R$ 1,86 pelo litro do etanol, e revenderam aos motoristas a R$ 2,34 – uma margem de lucro de 25%. No mesmo período, em Votuporanga, os donos de combustível trabalharam com a margem de lucro de 8%, vendendo o álcool a R$ 1,98. Isso tudo sempre levando em consideração o preço médio.

O maior absurdo, porém, ocorreu no mês de agosto. As distribuidoras venderam o litro da gasolina a R$ 2,97 em média, mas os postos de combustível revenderam a R$ 3,87 – uma margem de lucro de 30%. Em José Bonifácio, por exemplo, o preço da distribuidora foi até mais caro que aqui – R$ 3,01. Mas o valor final do litro da gasolina ficou bem mais em conta para o motorista – R$ 3,54.

Em Ribeirão Preto, a Justiça chegou a fixar o lucro dos postos de gasolina em 20% sobre o litro do combustível. Em Rio Preto, essa mesma margem de lucro costuma ficar entre 22% e 25% – chegando, como se verificou em agosto, a incríveis 30%.

Só isso já seria suficiente para que alguma providência fosse exigida das nossas autoridades. Ainda tramita, em segredo de justiça, inquérito aberto pelo promotor Sergio Clementino para apurar os lucros e a possível formação de um cartel de combustíveis na cidade.

Enquanto a investigação no Ministério Público não é concluída, a expectativa fica por conta da CEV integrada pelos vereadores Jean Dornelas (PRB), Fábio Marcondes (PR), Márcia Caldas (PPS), Zé da Academia (DEM) e Cláudia de Giuli (PMB). O que se espera, com base neste levantamento e em outros dados mais apurados pela comissão, é que alguma ação efetiva seja tomada para que abusos como os verificados no preço dos combustíveis em Rio Preto sejam coibidos. Essa sangria desatada que escorre pelo bolso do motorista rio-pretense precisa ter um fim.

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