Conexão Capivara: Liberdade, liberdade

O jornalista Júlio Cezar Garcia é um dos profissionais mais respeitados da imprensa de Rio Preto pelo currículo de mais de 40 anos construído com ética, comprometimento e premiada competência. Por aqui, fez história no Diário da Região e no extinto Bom Dia. Antes, passou por veículos de comunicação de abrangência nacional, entre os quais a revista Veja. Hoje, atua como assessor de comunicação da Secretaria de Saúde de Rio Preto.

Eis que Júlio Garcia se viu nesta sexta-feira (10) no olho do furacão após postar em sua página pessoal do Facebook uma opinião particular sobre o projeto Escola Sem Partido: “Vereadores de Rio Preto que aprovaram o projeto ‘Escola sem Partido’ são coerentes com suas próprias posturas políticas. Sabem que uma escola que pratique discussão e debate, sobre política e princípios socioafetivos, formará cidadãos (e eleitores) com conteúdo, com princípios. Esses eleitores jamais votarão em candidatos do nível deles. Escola sem Partido é uma safadeza cívica típica desse tipo de gente que teme a politização porque prospera com a ignorância”, escreveu ele.

O texto do jornalista, que bombou na rede social e foi reproduzido na seção Capivaras Pensantes desta coluna, edição de ontem (9), levou um grupo de vereadores de Rio Preto a “exigir” do governo a demissão do jornalista. Aqui, não se trata de concordar ou não com o teor do que o jornalista disse. A questão é que, em nome das liberdades individuais, temos o dever e a obrigação de defender até a morte o livre direito de manifestação de qualquer cidadão. Independentemente da linha ideológica.

Mas parte dos nossos vereadores se julga acima do bem e do mal. A primeira reação começou em um grupo de parlamentares no WhatsApp. “Gostaria que me informassem se esse jornalista ocupa cargo de comissão no governo. Peço apoio de todos para coibir tamanha ofensa à nossa Câmara Municipal. Lamentável”, disse um. Em seguida: “Absurdo isso. Ofendeu a todos que votaram favorável, manda ele guardar sua opinião de esquerda para ele”, emendou outro.

Até aqui, razoável. Direito deles também o de se manifestar. Mas o que veio em seguida é assustador. O grupo que se sentiu atingido foi até o prefeito em exercício, Eleuses Paiva (PSD), pedir a demissão do jornalista. Ou seja, consideraram legítimo pedir mordaça e impor punição. Postura típica de ditaduras (tanto de direita quanto de esquerda) que, para garantir seu único ponto de vista, prendem, torturam e até matam quem pensa diferente. Em uma democracia não existe crime de opinião. E os vereadores deveriam ser os primeiros a saber disso.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste sábado (11)

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