Conexão Capivara: Jogada de gênio ou tiro no pé?

Se for levar em consideração o quesito arco de alianças, as convenções partidárias que se encerraram neste domingo (5) tiveram um vencedor: trata-se do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB). O tucano conseguiu arrastar as legendas do chamado Centrão para sua campanha – DEM, PR, PP, PRB, PSD, SD e PPS -, que eram disputadas a tapa e foram negociadas a peso de ouro.

Com o novo trunfo de Alckmin, sua campanha de rádio e TV vai consumir 44% do tempo total, deixando o resto para seus adversários. Lembrando que o horário eleitoral gratuito é distribuído de acordo com a bancada dos partidos na Câmara dos Deputados.

Olhando assim, parece que finalmente a campanha de Alckmin, que até agora tem patinado entre 4% ou 6% nas pesquisas de intenção de voto, tem tudo para decolar. Mas nem tudo o que reluz é ouro. É o que pensa, por exemplo, o analista e consultor político Carlos Manhanelli, que há mais de 40 anos atua na área eleitoral. Além do tempo de rádio e TV, o Centrão traz consigo outro fator: desgaste e mais desgaste.

Para Manhanelli, o PSDB conseguiu atrair para sua chapa o que ele chama de “junção de partidos dinossauros”. O Centrão é composto em sua essência por partidos que não veem problema algum em fechar questão de acordo com sua conveniência. São os chamados partidos fisiológicos. PP, PR e PSD, só para ficar em três exemplos, estiveram com Lula, Dilma e Temer. E agora estão com Alckmin sem pudor algum. A cartilha política-ideológica pouco importa a essas legendas – se é que possuem uma.

Mas o que realmente pode causar dor de cabeça aos tucanos é o desgaste que parte dessas legendas tem com o eleitorado. O PP, por exemplo, é o partido com mais envolvidos na Operação Lava-Jato. Mais até do que PT e MDB. O mesmo PP que emplacou a senadora Ana Amélia (PP) para vice de Alckmin. “Certamente é algo que vai desgastar a imagem do candidato, especialmente se os adversários forem explorar isso na campanha. E certamente vão”, afirma Manhanelli.

No momento em que a Operação Lava-Jato fez com o que o eleitor ficasse mais atento aos casos de corrupção, a exposição dos aliados de Alckmin pode fazer com que sua imagem sofra arranhões irreversíveis frente à opinião pública. O que seria um tiro no pé.
No frigir dos ovos, o PSDB entendeu que a exposição no horário eleitoral gratuito pode compensar a imagem ruim que parte das siglas do Centrão pode impor à candidatura de Alckmin. Se vai valer a pena, só as urnas dirão.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta terça-feira (07)

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