Conexão Capivara: Já foi piada um dia

A ideia de Rio Preto buscar água no rio Grande é antiga. Saiu da caixola do ex-prefeito Toninho Figueiredo, que administrou a cidade três décadas atrás (1989 a 1992). Desde então, o tema já foi tratado como piada, virou “viagem de mandatários folclóricos”, evoluiu para muleta de político questionado em palanque sobre como resolver uma suposta carência de recursos hídricos no município, atingiu status de bandeira de ambientalistas (contrários à medida, claro) e seguiu misturando um pouco de todos estes pontos de vista até sair do plano abstrato para ganhar, enfim, alguma concretude. E assim reascender a polêmica.

Nesta quinta, 22, o prefeito Edinho Araújo (MDB) assinou ordem de serviço para que a empresa Estática Engenharia LTDA, vencedora de licitação realizada em 2015, desenvolva o projeto executivo para captação de água na jusante da barragem da Usina Maribondo, no lado paulista do rio Grande. A Estática vai ganhar R$ 14, 3 milhões, repassados ao município pelo governo federal, para dizer como esta megaobra pode virar realidade e quanto vai custar. São dois anos para que o relatório com os estudos técnicos e científicos fique pronto.

A apresentação do trabalho recebeu tratamento de acontecimento na Prefeitura, com falas entusiasmadas de Edinho, do superintendente do Semae, Nicanor Batista Jr., e do secretário Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Henrique Pires.
José Marinho dos Santos, da Estática, fez um esboço simplificado do projeto. A intenção é bombear a água bruta captada no Grande até uma estação de tratamento prevista para ficar no meio do caminho com Rio Preto. Depois de tratada, a água é redistribuída para os reservatórios interligados da cidade. O percurso total é de 60 quilômetros em tubulações de um metro e meio de diâmetro.

Apesar deste desenho, ele resiste em adiantar valores. Estimativas divulgadas nos últimos anos apontam que uma operação de tamanha magnitude exigirá investimentos entre R$ 900 milhões e R$ 1 bilhão. “O que temos é um esboço rudimentar. Só o projeto executivo vai permitir um valor exato”, afirma Santos.

E onde buscar todo este dinheiro? Esta, segundo Edinho, é outra história. “Estamos fazendo o que tem de ser feito agora, que é o estudo, adequado e sério, para eventual execução”, diz ele. Cauteloso, o prefeito se antecipa aos conflitos de opiniões inevitáveis. “O projeto nos dará condições de uma decisão mais pacificadora.”

Aliás, dinheiro e pacificadora são as palavras chaves de todo o processo. Os resistentes à ideia querem saber: é mesmo necessária intervenção tão radical no curso da natureza para garantir água a Rio Preto, uma vez que a cidade, privilegiada, repousa plena sobre dois grandes aquíferos, o Bauru e o Guarani? Isso sem falar nas águas superficiais? A estrutura municipal de abastecimento do município conta, hoje, com a Represa Municipal, 300 poços que buscam o recurso no Bauru e outros oito que vão até o Guarani.

“Estamos pensando nas gerações futuras. Nos netos de nossos netos”, responde o superintendente do Semae. Segundo ele, Rio Preto chega tranquila até 600 mil habitantes, mas precisa começar a se planejar para uma nova realidade. “Vamos sair na frente nessa corrida por água.”

O processo está aberto. Nesta quinta, que pode se tornar histórica, R$ 14 milhões foram disponibilizados para que os governantes e a sociedade organizada como um todo cheguem à conclusão do que precisa ser feito, de forma séria e sem politicagem, para a cidade enfrentar as demandas que a aguardam. Que assim seja.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta sexta-feira (23)

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