Conexão Capivara: Irritando o bispo

A bruxa está solta entre o bispo diocesano de Rio Preto e o governo Edinho Araújo (PMDB). Dom Tomé está irritado com o prefeito. Muito irritado, aliás. Normalmente comedido em suas opiniões relativas à política municipal, dom Tomé partiu para o ataque na sua coluna diária veiculada na rádio CBN. Tudo por conta da revitalização do Calçadão, que teria ignorado completamente a situação da Catedral e dos moradores do local – apenas levando em conta o que querem os comerciantes.

Sem citar nomes, o recado do bispo tem endereço certo: o secretário de Desenvolvimento Econômico, Liszt Abdala, que tem sido o gestor deste processo. E, claro, o próprio prefeito. Liszt anunciou aqui na Conexão Capivara que, a partir deste mês, vai realizar um mutirão de impacto, que será uma espécie de abertura para uma série de ações que se dará nos meses seguintes – focado no quadrilátero entre as ruas Pedro Amaral, Silva Jardim, Antonio de Godoy e Coronel Spinola de Castro.

Dhoje Interior

Dom Tomé aproveitou a audiência da rádio para fazer, nas suas próprias palavras, um protesto público pelo fato de o bispado e os moradores do Centro terem sido alijados das discussões e das deliberações sobre o que será feito no Calçadão. “Faço um protesto público, porque nós queremos participar e saber o que está sendo proposto. A catedral não é uma capelinha, uma igrejinha qualquer, ali está a origem da cidade”, reclamou o bispo.

Segundo ele, hoje praticamente nenhuma atividade é realizada no local após as 18 horas, justamente por falta de segurança, de iluminação e problemas de estacionamento. Dom Tomé afirma ainda que bancas de jornal e barracas foram montadas, ao longo dos anos, no entorno da Catedral sem que houvesse qualquer consentimento ou diálogo por parte do poder público.

O que mais irritou o bispo foi o fato de o pároco da Catedral, Deusdete Zanfolin, ter procurado a Prefeitura para debater o assunto. Mas foi solenemente ignorado. “É uma área degradada, mas as soluções precisam ser debatidas não só com os comerciantes, mas também com a Igreja e os moradores”, afirmou dom Tomé. O bispo, aliás, falou grosso e pode dar dor de cabeça à Prefeitura: solicitou ontem que o jurídico do bispado levante exatamente o que pertence à Catedral e o que pertence ao poder público na praça dom José Marcondes. Segundo ele, há um acordo verbal entre as partes, mas é preciso documentar para saber o que é de quem.

O recado foi dado. E nem tem como reclamar para o bispo: afinal, é o próprio bispo quem está reclamando. E muito.

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