Conexão Capivara: Gazeteiro ou falastrão?

Em entrevista à rádio CBN no final de novembro, Renato Pupo (PSD) havia dito que só não tinha relação política com três vereadores na Câmara de Rio Preto: Paulo Pauléra (PP), Jean Dornelas (PRB) e Gerson Furquim (PP). Perguntado sobre seus embates à época no plenário com Anderson Branco (PR), Pupo afirmou que a relação dos dois era “cordial”.

Pois a cordialidade foi ralo abaixo. Em nota oficial divulgada ontem (22), Branco acusou o vereador do PSD, que é delegado, de gazetear e descumprir seu horário de serviço na delegacia. “Ocorre que, logo que assumi meu mandato, recebi denúncias de que o delegado estava se ausentando de suas obrigações funcionais para exercer papel de vereador. Zeloso que sou com a coisa pública, fui apurar e realmente, durante diligências, descobri que por diversas vezes o delegado não ocupava seu posto a delegacia onde é lotado e mesmo assim o ponto estava assinado”, assinalou Branco.

A acusação é seriíssima. Não há qualquer impeditivo para um servidor público ocupar um cargo no Legislativo, desde que os horários sejam compatíveis. Porém é falta grave se ausentar sem motivo da repartição para desempenhar outras atividades.
O desentendimento na esfera política, que descambou agora para o campo pessoal, teve início nas discussões sobre o fechamento durante a madrugada da UPA do Santo Antônio. Branco, que é da Comissão de Saúde na Câmara, se sentiu preterido nas reuniões realizadas por Renato Pupo sobre o tema. E resolveu contra-atacar: em ofício encaminhado ao presidente do Legislativo, Jean Charles (PMDB), solicitou a lista de presença de todos os vereadores nas sessões ocorridas nos anos de 2014 a 2017, além da participação nas reuniões de líderes e nas oitivas realizadas pelas CPIs. O alvo, claro, é saber se o vereador-delegado se ausentou da delegacia para estar na Câmara.

O ofício foi protocolado no dia 13 de dezembro. Dois dias depois, Pupo telefonou para “dar um toque” ao colega de Legislativo: afirmou que levaram até ele informações de que, no passado, Branco teria sido denunciado pela ex-mulher na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). O vereador do PR interpretou o aviso como ameaça e entrou com representação contra Pupo na Corregedoria da Polícia Civil.

Ao saber ontem (22) da nota oficial acusando-o de faltar do serviço, Renato Pupo foi direto: “Tudo o que eu faço está dentro da legalidade e vou tomar as providências judiciais cabíveis”.

Tão grave quanto descumprir o horário de trabalho em uma repartição pública é fazer acusações sem provas. Branco agora terá de sustentar as tais diligências e comprovar as faltas de Pupo. Se houve mesmo isso, o vereador-delegado terá de responder pelos seus atos. Caso contrário, é Branco que mostrará que se guia pela politicagem rasteira.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste sábado (23)

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS