Conexão Capivara: Gaeco na Emurb

Wagner Rodolfo Costa e a mulher Roberta, sócios da Innovare que venceu a licitação da Área Azul Digital: ele agora acusa um suposto esquema de venda de talões fraudados da Emurb (Foto: Reprodução)

O escândalo na Emurb deve ir parar nas mãos do Gaeco – grupo especializado do Ministério Público no combate ao crime. Tudo por conta de depoimento do empresário Wagner Rodolfo da Costa ao promotor de Justiça Sergio Clementino, no qual ele acusou a existência de um suposto esquema envolvendo a comercialização de talões fraudados da Área Azul. E que tal esquema seria gerenciado por funcionários da própria Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb).

O depoimento de Wagner a Clementino foi dado na quarta-feira (10). Ao promotor, o empresário relatou a existência de uma quadrilha de servidores que misturavam talões falsificados aos originais na distribuição que era feita aos fiscais. Ele não apontou para o Ministério Público quem seriam os funcionários e não chegou a citar nomes.

Clementino enviou a denúncia ao promotor Claudio Santos de Moraes, que é titular de outro inquérito que investiga se houve favorecimento à empresa de Wagner – a Innovare – no contrato da Área Azul Digital. A mulher do empresário, Roberta Nunes Ferreira Costa, era sócia da Innovare e funcionária da Emurb.

À Conexão Capivara, Moraes afirmou que deve abrir outro inquérito na área cível, para verificar possível improbidade administrativa de servidores públicos, e encaminhar o depoimento de Wagner também à Promotoria criminal. Segundo ele, por se tratar de um possível crime, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) é quem deve liderar as investigações. “É uma denúncia de natureza mais criminal, porque depende da apreensão de documentos e perícia. Eu vou aproveitar os elementos no meu inquérito civil, porque não adianta dois fazerem a mesma coisa”, afirmou Moraes.

As acusações de Wagner já surtiram efeito na administração. Ontem (12), o Conselho de Auditoria e Gestão fez uma intervenção e determinou o recolhimento de talões da Área Azul em estoque para conferência. A comissão, que é liderada pelos secretários Angelo Bevilacqua (Fazenda) e Luís Roberto Thiesi (Administração), ficará com a guarda dos talões. A intervenção do conselho na Emurb inclui ainda o controle direto do caixa da empresa municipal.

Wagner, que teve acesso antecipado à licitação da Área Azul Digital, resolveu morrer atirando. Não dá para saber ainda se a denúncia é apenas uma cortina de fumaça ou se existe uma quadrilha atuando dentro da Emurb. Agora compete a todos os poderes envolvidos na apuração das maracutaias – Prefeitura, Câmara e Ministério Público – dar uma resposta à população sobre o tamanho do estrago causado por esse escândalo que ganha proporções homéricas dia após dia.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste sábado (13)

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