Conexão Capivara: França do povão

Foto Divulgação

João Doria (PSDB) representa a aristocracia paulistana, Paulo Skaf (MDB) o empresariado e ele, o povão. Essa tem sido a tônica do discurso do governador de São Paulo e candidato à reeleição, Márcio França (PSB). Ele esteve em Rio Preto neste sábado (22) e, em discurso no Centro de Convenções da Acirp pela manhã, reforçou que só ele teria condições de resolver os problemas do Estado porque só ele seria “gente como a gente”.

Em um discurso de pouco mais de 20 minutos, e acompanhado de 45 prefeitos, além do deputado estadual Orlando Bolçone (PSB) e os candidatos a federal Valdomiro Lopes (PSB) e Pedro Roberto (PRP), sobraram farpas para Skaf e Doria. Disse, por exemplo, que defende o ensino público porque estudou em escola pública. “Quem nunca estudou, não vai ter a sensibilidade necessária para resolver os problemas. Eles (Doria e Skaf) tem outros padrões”, afirmou. “Não é por mal, mas eles não entendem, têm outra cabeça, são de outro nível”.

Seu discurso, em geral, teve como enfoque a saúde e a educação. Sobre este último tema, defendeu que o acesso às universidades paulistas e Fatecs vão continuar a ser público, sem cobrança de mensalidade, e que vai estender este acesso por meio de cursos virtuais. Sobre a saúde, mais uma espetada em Skaf. “O Paulo disse que, caso eleito, os hospitais vão abrir todo fim de semana. Eu disse pra ele ‘Paulo, não repete isso de novo. Os hospitais já abrem de fim de semana. Ele nem sabe”, afirmou França, para depois emendar que seu projeto para saúde é estender o atendimento dos Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) espalhados pelo Estado.

Mas as críticas mais contundentes sobraram mesmo para o candidato tucano. O governador lembrou novamente da promessa de Doria de que permaneceria quatro anos na Prefeitura de São Paulo. “Ele olhou na minha cara e, mais de uma vez, disse que tinha a palavra dele de que não deixaria a prefeitura. Eu não ensinei meu filho a fazer assim. Se deu a palavra, cumpra”, afirmou França. Disse ainda que o sonho de Doria era se candidatar a presidente no lugar de Geraldo Alckmin (PSDB), mas ganhou a indicação para o governo como “prêmio de consolação”. “São Paulo é muito grande para ser prêmio de consolação de alguém”, disse o governador.

A estratégia de França é clara. Com o candidato Luiz Marinho (PT) não empolgado nas pesquisas, ele tenta ganhar espaço fazendo um discurso mais voltado ao social, enquanto tenta colar em Doria e Skaf a pecha de que eles governariam apenas para a elite paulista. Por isso repetidamente ele usava as expressões “eles não conhecem”, “eles não sabem” e “não fazem por mal”. A campanha do PSB tem apenas mais duas semanas para apostar na desidratação de Doria ou Skaf, que lideram as pesquisas, para poder se garantir no 2º turno. Precisa só ver se o eleitorado vai comprar a imagem do “França do povão”.

 

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste domingo(23)

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS