Conexão Capivara: Foco no Interior

Pela primeira vez desde a década de 90, quando assumiu o governo do Estado e não largou mais, o PSDB vai para a disputa do Palácio dos Bandeirantes sem estar com a máquina nas mãos. Em 2006, por exemplo, Claudio Lembo (DEM) assumiu o governo quando Alckmin (PSDB) partiu para a disputa presidencial, mas o então governador foi cabo eleitoral de primeira hora de José Serra (PSDB), eleito naquele ano.

2018 traz um cenário totalmente diferente para os tucanos. O governo estará nas mãos de um ex-aliado, o agora governador Márcio França (PSB), que se lançará à reeleição tendo como opositor o ex-prefeito João Doria (PSDB). Pela primeira vez, a bancada tucana na Assembleia desde que Mario Covas (PSDB) assumiu o Estado vai atuar na oposição.
E França já tem uma estratégia bem traçada, com apoio da máquina administrativa, para combater Doria e os demais adversários nas urnas. A aliados próximos, ele confessou que pretende reservar 1% do orçamento estadual previsto para esse ano – R$ 2 bilhões – para investir nos municípios e obter apoio maciço dos prefeitos nas cidades do Interior. O discurso seria de garantir ajuda às cidades paulistas, que continuam sofrendo os efeitos da crise. Mas o verdadeiro motivo é político-eleitoral, obviamente.

Se Doria se mostra forte na Capital, sendo eleito em 2016 ainda no primeiro turno, França quer garantir maioria no Interior, reduto que historicamente vota em candidatos tucanos. E é interessante que o próprio PSDB vai um tanto quanto rachado para a disputa deste ano pelo governo do Estado. O próprio Alckmin queria que o PSDB apoiasse Márcio França – aliado de anos dos tucanos – na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, mas foi atropelado pela ambição de Doria.

É também aguardada a troca de cargos estaduais em comissão, espalhados pelo Interior, que hoje estão nas mãos de tucanos e seus aliados. “É normal que isso ocorra. Afinal, agora o PSDB é nosso adversário”, afirmou um dos aliados do governador. Quais serão exatamente as trocas e quando ocorrerá, ainda não foi divulgado. Mas cabeças vão rolar dentro das próximas semanas.

Com esses ajustes, França acredita que terá chances reais de tirar das mãos do PSDB uma hegemonia no Estado de São Paulo que dura mais de duas décadas. Se todas essas artimanhas serão suficientes para isso, só as urnas é que vão responder.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta terça-feira (10)

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