Conexão Capivara: Fim do auxílio-atleta

CAutela - Israel Cestari disse que todos terão que trabalhar dentro do orçamento

Depois de anos de polêmica – com direito a investigação do Ministério Público, da Polícia Civil, do Tribunal de Contas e da Câmara -, o auxílio-atleta acabou. Ao menos no que diz respeito ao seu atual formato. O secretário de Planejamento, Israel Cestari, afirmou que, a partir do próximo ano, o benefício será voltado não para atletas de médio e alto desempenho, mas para estimular as atividades físicas entre crianças e idosos.

Recursos do auxílio-atleta serão reduzidos de R$ 900 mil para R$ 90 mil ao mês; programa agora será voltado a idosos e crianças

De acordo com Cestari, o pedido partiu do próprio prefeito Edinho Araújo (PMDB) e valerá a partir do próximo ano. A redução monstruosa dos valores tem a ver com o corte geral no orçamento, claro, mas foi influenciado especialmente pelo abecedário de fraudes acumuladas nos últimos anos com o pagamento do benefício. Vamos aos números: em 2012, ano de ouro para a Secretaria de Esportes, o gasto com o auxílio-atleta bateu na casa dos R$ 10,3 milhões. Para 2018, ficará um décimo disso – pouco mais de R$ 1 milhão, ou seja, R$ 90 mil por mês.
Nenhum programa municipal foi tão achincalhado, maltratado e colocado a serviço da política eleitoral como esse. Seria impossível listar aqui o catatau de irregularidades envolvendo o benefício: desvio de pagamentos, laranjas recebendo no lugar de atletas, falsidade ideológica, falta de conselho fiscalizador, técnico extorquindo jogadoras e mais um sem-número de falcatruas. Tanto que o vereador Francisco Júnior (DEM), que estava no comando da pasta no ano passado, foi denunciado pelo promotor Claudio Santos de Moraes por improbidade a corre o risco de perder o mandato, além de pagar multa de 100 vezes o seu salário e ter ainda de devolver dinheiro aos cofres públicos. O promotor afirma que foi montado por Júnior um verdadeiro “Programa de Assistencialismo Financeiro Eleitoreiro”.
O erro de alguns vai prejudicar muitos, infelizmente. O corte no auxílio-atleta terá impacto também no futebol feminino do Rio Preto, já que as meninas também recebem o incentivo para representarem a cidade. Mas, nas palavras de Cestari, atletas amadores ou de alto rendimento terão de buscar patrocínio na iniciativa privada e “seguir a carreira sem ajuda do poder público”.
Não se trata, neste caso, de matar o paciente para acabar com a doença. Ainda que o corte afete muitos atletas de verdade, e não só pilantras como apontou a CPI do Auxílio Atleta na Câmara, a verdade é que a nova diretriz do programa é positiva para a cidade. O investimento no esporte de base como formação de crianças e adolescentes, além da melhoria na qualidade de vida de quem está na terceira idade, vale cada centavo do dinheiro público. Sem o rio-pretense ter a sensação de que está sendo roubado e ludibriado sob o disfarce de impulsionar o esporte amador.

Clique aqui e confira na íntegra a página Conexão Capivara deste sábado(30)

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