Conexão Capivara: Filho pródigo

O vereador Jean Dornelas (PRB), de longe, tem sido o aliado na Câmara de Rio Preto que mais tem causado dor de cabeça ao prefeito Edinho Araújo (MDB). Não pelos seus posicionamentos em plenário – até porque costuma seguir as orientações do governo -, mas sobretudo por seus projetos e investidas fora do plenário.

Dornelas marcou para quarta-feira (28) audiência pública na escola Darcy Ribeiro, no Santo Antônio, audiência pública sobre dois assuntos que fazem o 8º andar arrepiar só de ouvir. Um deles é tal da emenda impositiva, que permite aos vereadores remanejar R$ 17 milhões do orçamento do município conforme bem entenderem. O outro tema é a criação da Subprefeitura da Região Norte, assim como já existem as Subprefeituras de Talhado e de Engenheiro Schmitt.

Enquanto a polêmica das emendas do milhão ainda está em tramitação na Câmara, e já recebeu declaração pública do prefeito contra a aprovação, a Subprefeitura da Região Norte já é lei. De autoria do ex-vereador Maurin Ribeiro, autoproclamado “vereador da Zona Norte”, ela foi promulgada em 2011 e incorporada à Lei Orgânica do Município. Na prática, o projeto criou a Subprefeitura, mas não impôs data para sua adoção. A proposta, aliás, é de uma singeleza ímpar: a justificativa para a criação de mais um órgão público tem cinco linhas e diz apenas que “se deve à necessidade de implantar uma Subprefeitura na Região Norte do município, cujos bairros são os mais populosos, além da concentração de várias famílias de baixa renda, cujo acesso à sede do Poder Executivo se torna cada vez mais difícil”.

Sobre esse assunto, dois aspectos precisam ser considerados: a necessidade de criar esse novo departamento dentro do Executivo – se vai fazer alguma diferença real aos munícipes – e o custo disso para Rio Preto. Afinal, seria preciso contratar o subprefeito, assessores, montar estrutura e gabinetes. Certamente despesas que bateriam na casa do milhão. Sem contar que o risco desta subprefeitura se tornar um cabidão de empregos é enorme. Acenar com a sua criação seria o mesmo que Edinho assumir que não tem condições de gerenciar a cidade como um tudo, e que precisa de um “olheiro” para as demandas específicas da Região Norte.

O vereador, claro, tem todo direito e até o dever de convocar audiências públicas. Muito melhor agir assim que tramar às escuras, nos corredores do Legislativo, projetos que prejudicam a população. No caso em específico, não existem justificativas suficientes para que seja instalado mais um órgão público voltado especificamente a uma região da cidade. Uma coisa é falar das subprefeituras da cidade de São Paulo, que é uma megalópole. Outra bem diferente é traçar feudos administrativos e políticos dentro de Rio Preto.

Só para fechar o desgaste que os projetos de Dornelas têm causado pelo Executivo, é bom lembrar que é de autoria dele também o Escola Sem Partido (cujo veto do prefeito deve ser derrubado na sessão de hoje) e o Seguro Anticorrupção (que deve encarecer o valor das obras públicas), duas propostas vetadas de imediato por Edinho. Não que seja ruim isso, evidentemente. Mas para o prefeito, Dornelas – com a emenda do milhão, Seguro Anticorrupção e Subprefeitura da Região Norte – tem agido como um filho pródigo.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta terça-feira (27)

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