Conexão Capivara: Farra das homenagens

Responda rápido: 8 mil reais é muito ou é pouco? A resposta padrão é: depende. E se esse dinheiro fosse utilizado, quase na sua totalidade, para fazer politicagem? O famoso puxa-saquismo? E tudo bancado pelos cofres públicos?

Pois é isso o que acontece na Câmara de Rio Preto. Levantamento realizado pela repórter Francela Pinheiro, da rádio CBN, mostra que esse é o valor gasto pelo Legislativo somente com placas e convites para homenageados desde 2012. Só neste ano, foram R$ 1,6 mil. E vem mais por aí.

A Câmara de Rio Preto é sui generis. São nada menos que sete tipos de honrarias concedidas pela Casa. Não perca as contas: Cidadão Honorário Rio-pretense; Reconhecimento Público; Medalha 19 de Julho e o Diploma de Gratidão da Cidade de São José do Rio Preto; Medalha do Mérito Comunitário; Medalha do Brasão do Município de São José do Rio Preto e o Diploma de Comendador da Ordem Municipal do Brasão; Medalha do Valor Militar “Ivo Serigato”; e Empresa Cidadã.

Os gastos do Legislativo com sessões solenes vão muito além dos R$ 8 mil. Além das placas e convites, há gastos com postagem, impressos, flores para a mulher do homenageado, músico, limpeza do tapete vermelho, horas extras para funcionários, combustível de veículos oficiais, cafezinhos, chás, sucos, água mineral, ar condicionado, iluminação e limpeza do plenário. A despesa com uma sessão solene é incalculável. A Câmara chegou até a bancar coquetel – absurdo que só parou após pressão do Tribunal de Contas.

Obviamente há pessoas que fazem jus a honrarias e reconhecimento público do município. Outras já são homenageadas por puro interesse politiqueiro, como é o caso do prefeito de São Paulo, João Doria, que vai receber o título de cidadão honorário rio-pretense pelos “relevantes serviços prestados ao município”. Ocorre que o próprio autor, vereador Paulo Pauléra (PP), reconhece que Doria nunca fez nada por Rio Preto. Sequer tem ideia da última vez que ele pisou na cidade – se é que pisou.

Além do gasto indevido do dinheiro público, esse tipo de homenagem desvaloriza quem realmente merece. O recente episódio do vereador Anderson Branco (PR) que foi a Brasília – gastando dinheiro público – e implorou para que o deputado Jair Bolsonaro recebesse o título de cidadão rio-pretense foi a cereja do bolo dessa pouca vergonha e da falta de critério utilizado na concessão de honrarias. Parlamentar algum tem direito de fazer isso com dinheiro do povo. Quer homenagear? Está liberado. Desde que realmente sigam o que diz a lei. Se não, que banquem essa picaretagem com dinheiro do próprio bolso.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste sábado (14)

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