Conexão Capivara: Faca no pescoço

O PR, leia-se Fábio Marcondes e Luiz Carlos Motta, deixou de lado a estratégia de telefone sem fio e partiu para um papo reto com o prefeito Edinho Araújo (MDB).

Sem meias-palavras, o vereador e o sindicalista trucaram o emedebista: ou a legenda faz parte do governo de fato e direito ou cai fora da relação ambígua que mantém há tempos com o Executivo. A conversa ocorreu no final da manhã desta segunda (14) no gabinete de Edinho e contou ainda com as presenças de Zeca Moreira (chefe de Gabinete) e Jair Moretti (secretário de Governo). “O Motta falou da candidatura dele e, principalmente, da importância do PR na cidade, de como podemos colaborar”, diz Marcondes, que preside o diretório municipal da legenda.

E os dois não foram modestos ao desenhar a relevância da sigla, amparados em dados concretos, mas também em perspectivas. Realidade: os dois votos na Câmara (Marcondes e Anderson Branco), mais a capacidade de articulação do ex-presidente da Casa.

Expectativa: o sucesso de Motta na briga por uma cadeira a deputado federal nas eleições deste ano. Ligado à federação que congrega sindicatos dos comerciários, Motta tem capilaridade pelo Estado como um todo e angariou quase 95 mil votos em 2014. Também conseguiu formar uma base local para as eleições de outubro com nomes representativos.

Com este “portfólio”, os dois foram a campo. Desde que o G-9, uma tentativa de fazer maioria de oposição na Câmara implodiu, Marcondes alimenta a ambição de alinhar-se ao governo. Mas não como uma amante mantida à distância. Ele quer uma aliança que lhe garanta todas as prerrogativas de uma união oficializada. Ou seja, cargos, secretarias e afins. Questionado pela coluna, o vereador não revela qual pasta, por exemplo, contentaria o PR. “Não falamos neste ou naquele lugar. O que conversamos foi sobre participar. O governo é que precisa decidir e a gente avalia depois de quer ou não”, afirma.

O fato é que Marcondes não é amador. Não se interessa por pastas que não tenham recursos consolidados nem margem para ação política. E sua proximidade com a Guarda Municipal sempre foi sinalização do apego que tem por este setor, tutelado pela Secretaria de Trânsito, hoje nas mãos do PSD de Eleuses Paiva. Esportes também não é uma má ideia. Se estiverem juntos, Motta também pode ser um parceiro de Edinho Filho (MDB), rebento do prefeito que vai estrear nas urnas como candidato a deputado estadual.

Mas, se o desejado espaço dentro do governo não vier, Marcondes pode vestir de vez o figurino de oposição e também se lançar como candidato a deputado estadual. O prefeito não disse sim de cara, mas também não trancou as portas. Ficou de pensar no pleito do vereador e do sindicalista. Apesar de precisar como nunca de uma certa estabilidade na Câmara e menos gente produzindo crises fora dela, Edinho tenta ganhar tempo.

“Vamos continuar conversando”. Em sua fala, não descarta, no entanto, a ideia de achar um jeito de integrar o PR no governo. “Mas não agora”, diz. Quando, então? “Não tenho pressa.” Mas o PR tem…

 

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta terça-feira(15)

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