Conexão Capivara: Espada nas mãos

“Olha a nossa responsabilidade. Talvez a espada esteja nas nossas mãos. Não estamos aqui para julgar, nem condenar, muito menos para crucificar alguém. Estamos aqui para encontrar aquilo que é correto”. Foi com essas palavras que o secretário da Fazenda e presidente interino da Emurb, Angelo Bevilacqua, anunciou ontem (11) a formação do Conselho de Auditoria e Gestão que ficará responsável por destrinchar o escândalo da Área Azul Digital. O secretário classificou o grupo como uma força-tarefa que envolve servidores da Administração, Fazenda, Obras e Comunicação.

Para a formação do conselho, o prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (PMDB), escolheu um time de peso. A comissão será liderada pelo secretário de Administração, Luís Roberto Thiesi, e outros seis servidores – entre eles José Martinho Ravazzi Neto, que já foi secretário de Finanças do município. Segundo Bevilacqua, serão duas vertentes de trabalho. Uma delas será de consultoria e gestão, destinada a rever os processos dentro da Emurb e conseguir, nas palavras dele, fazer mais com menos. A outra linha é a auditoria em si, que vai investigar não só a licitação da Área Azul Digital, mas também o contrato com a WRC – que tinha como sócia uma ex-funcionária da Emurb.

Com o anúncio do Conselho de Auditoria e Gestão, Bevilacqua mandou para o espaço outra comissão formada dentro da Emurb pela então presidente Vania Pelegrini, que também tinha como objetivo apurar as denúncias de irregularidades nas licitações da empresa. Segundo o secretário da Fazenda, a sindicância será revogada. “Nós somos a comissão, nós que vamos apurar”, afirmou. O novo grupo formado ontem também terá como objetivo investigar a participação das empresas da mulher e da irmã do secretário de Desenvolvimento Econômico, Liszt Abdala, na disputa pela Área Azul Digital.

Bevilacqua também enfatizou que a auditoria correrá em sigilo e que o primeiro a ser comunicado sobre as conclusões será, claro, o prefeito Edinho. Ele também não deu prazo para o término do trabalho. “Nós não sabemos o que vamos encontrar, é uma empresa com 370 funcionários. Não vamos encerrar enquanto o trabalho não tiver findado”, afirmou o secretário.

A auditoria veio, mas com atraso. Afinal, o escândalo já estourou há mais de uma semana. Mas mostra que tanto Bevilacqua quanto Edinho estão dispostos a realizar uma varredura em todos os contratos firmados pela Emurb nos últimos anos. E que, ao que tudo indica, não vai poupar ninguém. “Eu trabalho com frieza, não posso atuar com atitudes sentimentais. Vou dizer aquilo que nós encontramos”, afirmou o secretário. Já não era sem tempo. Com frieza e com a espada nas mãos.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta sexta-feira (12)

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