Conexão Capivara: Escola Sem Partido no MP

O teor das conversas trocadas entre apoiadores do projeto Escola Sem Partido, revelado ontem (5) com exclusividade pela Conexão Capivara, foram parar no Ministério Público.

A Atem (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Municipal) solicitou investigação da promotoria com base nos diálogos trocados entre os integrantes de um grupo de whatsapp, que tinha como administradores integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e participação do Movimento Cidadania Brasil (MCB). Nas conversas, alguns dos membros falam em “enfiar a porrada em comunistas”, “antes atirar primeiro que levar o primeiro tiro” e “tem horário para diálogo e horário para enfiar porrada e chumbo nos comunistas”, entre outras frases de incentivo à violência.

Uma das conversas em especial revoltou os profissionais ligados à educação: foi a revelação, feita por um integrante do grupo de whatsapp, de que havia dois policiais armados à paisana entre os apoiadores do Escola Sem Partido na audiência pública realizada na segunda-feira (2), na Câmara de Rio Preto. “É muito grave pessoas estarem armadas em um local onde estão sendo discutidas ideias. Isso é coisa de grupo criminoso e o vereador que armou isso (Jean Dornelas, autor do projeto) deve ser responsabilizado”, afirmou Fabiano de Jesus, diretor da Atem.

No documento protocolado ontem no Ministério Público, o sindicato afirma que, pelo teor das conversas no whatsapp, “existia um processo de organização com graves ameaças sobre a integridade física de trabalhadores e estudantes que têm o posicionamento contra o projeto Escola sem Partido”. E finaliza a representação: “Sendo assim, diante das graves denúncias do jornal e a exposição pública de forma indevida de vários cidadãos que foram assistir à audiência, solicitamos a investigação do Ministério Público sobre os fatos denunciados pelo DHoje Interior”.

Verdade seja dita: a incitação à violência dentro da rede social se intensificou na tarde da quarta-feira (4). Poucas horas depois, integrantes do MBL – que se posicionaram contra estes discursos – resolveram encerrar o grupo. Mas não podem se eximir da responsabilidade de conduzir os apoiadores ao extremismo: o que se viu na audiência pública do dia 2 foram cenas lamentáveis, de lado a lado, com um debate estéril conduzido por lideranças que instigavam o ódio e não o diálogo. Está mesmo na hora de o Ministério Público e a polícia acompanharem esse debate de perto. Antes que seja tarde demais.

Clique aqui e confira na íntegra a página Conexão Capivara desta sexta-feira(06)

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS