Conexão Capivara: Enrosco na CPI

Está na chuva é pra se molhar, certo? Pois o presidente da Câmara de Rio Preto, Jean Charles (MDB), tem mais um abacaxi daqueles bem indigestos para descascar hoje.

A Associação dos Guardas Municipais protocolou ontem (28) na Câmara ofício pedindo a suspeição do vereador Renato Pupo (PSD), escolhido por sorteio para presidir a CPI que vai investigar o caso. Assinado pelo presidente da entidade, Alexandre Montenegro, o documento aponta que Pupo deveria ser impedido de liderar comissão porque “possui relacionamento partidário e pode ter interesse pessoal na apuração”. Montenegro destaca que o parlamentar foi quem indicou o atual diretor da Guarda Municipal, Silvio Pedro, e o secretário de Trânsito, Marcos Apóstolo. Em anexo ao ofício estão as filiações partidárias dos dois ao PSD, mesmo partido de Pupo.

Dhoje Interior

A associação comandada por Montenegro é autora da representação pedindo a apuração de supostas arbitrariedades do comando da Guarda Municipal. A denúncia inclui uma série de supostos abusos cometidos, especialmente, pelo atual corregedor José Carlos Floriano e o ouvidor João Henrique Costa. Há possíveis atos de constrangimento, entre eles apreensão de armas durante audiência, perseguição a funcionários e até desvio de conduta.

Colocado mais uma vez contra a parede, o presidente da Câmara afirmou que vai levar o caso à Diretoria Jurídica. “Amanhã (1º) vou pedir um despacho jurídico sobre isso. Tenho de ver o pedido e analisar regimentalmente”, disse Jean Charles.

O assunto é delicado. O artigo 82 do Regimento Interno do Legislativo é claro ao proibir a participação em CPIs de vereadores que “tiverem interesse pessoal na apuração”. Se Pupo tem interesse pessoal ou não, é uma questão de interpretação.

O vereador do PSD disse que não vê impedimento. “Quem escolheu o secretário e o diretor da Guarda foi o prefeito. Eu acho que não existe óbice nenhum para a investigação”, afirmou Pupo. Já o relator da CPI, Paulo Pauléra (PP), que foi o autor do pedido de CPI, pensa o contrário. “O vereador Renato sempre criticou o fato de a tropa de choque do ex-prefeito Valdomiro (Lopes) participar das comissões, mais ou menos como colocar uma raposa para cuidar do galinheiro. Ele é um delegado responsável, mas a gente ficaria mais à vontade se não tivesse alguém do mesmo partido investigando”, afirmou Pauléra.

O fato é que, seja qual for a decisão de Jean Charles, certamente vai ter chiadeira de um dos lados. Esse é o ônus de estar na chuva.

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