Conexão Capivara: Emurb, uma empresa falida

Bevilacqua apresenta relatório da Emurb

É muito pior do que se imaginava. Relatório final da comissão de auditoria e gestão e análise contábil relativos à Emurb são categóricos em apontar que ela só não faliu por se tratar de uma empresa pública. E que, por esse fato, vem sendo empurrada por anos a fio com dívidas astronômicas, um passivo trabalhista monstruoso e fraudes de todo tipo, escorando-se no fato de ser um órgão da administração pública para não fechar as portas de maneira definitiva.

Há de tudo um pouco ali, desde má-fé de quem passou pela empresa a total desconhecimento de gestão. E é assim que ela caminha, sempre comandada por indicações políticas e como se a empresa não fosse de ninguém. Se dá prejuízo, o problema não é dos diretores ou apadrinhados: ninguém vai perder um centavo com a ineficiência da Emurb.

Dhoje Interior

A empresa conseguiu a proeza de acumular nos últimos anos um prejuízo de R$ 1,3 milhão, além de um patrimônio líquido negativo de R$ 44 mil. A conclusão da auditoria contábil dourou a pílula ao dizer que houve “gastos desnecessários, falta de política de metas e análise de resultados”, além de indicar que “a empresa não foi administrada de acordo com as técnicas de gestão”. A verdade é uma só: a Emurb é um sorvedouro de dinheiro público, afundada em dívidas exorbitantes.

A conclusão da auditoria e a análise contábil, apresentada ontem (27) em 63 páginas pelo secretário da Fazenda e presidente interino da Emurb, Angelo Bevilacqua, focou a gestão financeira da empresa apenas entre 2016 e 2017. Um dos maiores absurdos encontrados foi a transformação da empresa municipal em uma espécie de banco informal: ao longo do ano de 2017, funcionários descontaram de 507 cheques, no valor total de R$ 187 mil, diretamente da boca do caixa da empresa. O maior valor foi de R$ 4,6 mil. Bevilacqua disse acreditar que a prática era mais fruto de desconhecimento do que má-fé. Mas, ainda assim, o assunto vai ser tratado em uma nova sindicância para saber, inclusive, sobre a compensação destes cheques no banco.

Há ainda o possível sumiço – identificado como “anormalidade” no relatório – de 31 mil talões da Área Azul. Há uma defasagem entre o que foi solicitado para impressão na gráfica e o que realmente estava nos estoque da Emurb, o que em dinheiro corresponderia a incríveis R$ 1,1 milhão.

Outro rombo verificado é na cobrança das taxas de embarque das empresas que utilizam o terminal rodoviário, mas não repassam o dinheiro à Emurb. Pevetur, Itamarati, Celico, Transrapido, São Francisco, Luwasa e São Raphael teriam, juntas, dado um desfalque de R$ 1,8 milhão que, no entendimento do presidente interino, trata-se de apropriação indébita. Esses casos serão levados à Justiça, segundo Bevilacqua.

Outro ponto que salta aos olhos são os R$ 8 milhões de ações trabalhistas movidas por funcionários e ex-funcionários. Um dos pontos alertados no relatório final indica que há muitos casos de servidores que foram à Justiça para serem reintegrados ao cargo – e, na maioria dos casos, eles têm saído vitoriosos. Bevilacqua aponta ainda que a decisão favorável da Justiça aos empregados ocorre quase sempre porque a Emurb “não teria obedecido às formalidades legais”. Só uma fiscal da Área Azul pede, por exemplo, R$ 370 mil de indenização e danos morais.

Bevilacqua disse que é possível recuperar financeiramente a quebrada Emurb. “Tenho certeza que é viável”, afirmou o secretário. Se isso for mesmo possível, que seja por uma questão de necessidade administrativa, e não conveniência política. Afinal, foi a politicagem que levou a empresa à beira da falência.

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