Conexão Capivara: Em cima do muro

“Sou favorável à Educação que atenda aos princípios constitucionais e às diretrizes curriculares que regulamentam os Sistemas de Ensino Nacional, Estadual e Municipal, à escola que forma o aluno com criatividade para atuar como cidadão na sociedade”. Foi assim, de uma maneira singela e sem dizer nada com nada, que a secretária de Educação, Sueli Costa, posicionou-se sobre a aprovação do Escola Sem Partido em Rio Preto. Ela ainda acrescentou que não recebeu o projeto em mãos e que vai se reunir com a sua equipe técnica para decidir o que vai fazer.

Sueli repetiu agora de maneira sintética o que disse na audiência pública realizada em outubro na Câmara, para debater o projeto. No debate legislativo, a secretária falou, falou e não disse nada. Tanto que não suscitou reações na galeria nem de quem era a favor da proposta nem de quem se posicionava contra. Não recebeu nem vaia nem aplauso de nenhum dos lados. Nada.

Preocupa a insegurança demonstrada pela secretária em momentos delicados, especialmente por ser a gestora da secretaria com maior orçamento da Prefeitura e maior número de servidores. Em ao menos quatro oportunidades ela falhou quando não veio a público se posicionar de maneira inequívoca sobre o que está ocorrendo em sua pasta.

Dois destes momentos estão interligados: a demissão de 500 anjos da guarda e a série de furtos e vandalismo decorrente do desligamento dos funcionários – até agora, 17 escolas municipais foram alvo de criminosos. Sueli não veio a público comentar nem a defasagem nem as ocorrências policiais: preferiu se manifestar por meio de notas ou deixar que outros secretários falasse pela sua pasta. Outro momento em que ela preferiu não se posicionar publicamente foi na trágica morte do menino Thauan Fernandes dos Santos, de 11 anos, na escola municipal Regina Mollouk. Só por meio de nota.

Há duas hipóteses sobre o comportamento escorregadio da secretária – hipóteses que não são excludentes, mas complementares. Uma é de que está blindada pelo governo, sob a asa do secretário de Planejamento, Israel Cestari. A outra é que talvez falte a ela a liderança natural para tocar uma secretaria tão complexa como a de Educação.
No caso do Escola Sem Partido, ela teria dois motivos – um técnico e outro político – para se posicionar com mais contundência a favor ou contra o projeto, independentemente de ainda não estar com o projeto em mãos. Até porque participou de audiência para debater essa proposta na Câmara. Ela tem três décadas de magistério – que lhe confere competência técnica – e ocupa um cargo político de secretária municipal. E não é por meio de nota oficial que essa questão deve ser debatida.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quinta-feira (09)

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