Conexão Capivara: Elsinho, o marqueteiro pop

O rio-pretense Elsinho Mouco, 58 anos, é pop. Ainda que não desfrutasse de anonimato antes, foi para os holofotes com força total após a ascensão de Michel Temer à Presidência da República. Marqueteiro do peemedebista há 15 anos, é da lavra dele o logotipo do governo federal que, diz o próprio Elsinho, foi escolhido pelo filho do presidente, o garoto Michelzinho, de apenas 8 anos. Antes as polêmicas ficassem restritas ao logo de gosto duvidoso: o publicitário foi acusado pelo dono da JBS, Joesley Batista, de ter recebido R$ 3 milhões em propina na campanha de 2010 e mais R$ 300 mil em 2016. Elsinho nega qualquer irregularidade nos pagamentos e diz que os Batista “omitiram a verdadeira relação que tiveram comigo”.

Em entrevista à Conexão Capivara, o publicitário rio-pretense falou sobre a baixíssima popularidade de Temer, das acusações de Joesley contra ele e que cortou o refrigerante à espera de encontrar sua “gata fitness”.

Conexão Capivara – Elsinho, como é cuidar do marketing do presidente com maior índice de rejeição da história? Você conta com a ajuda dos universitários ou só Jesus na causa?
Elsinho Mouco – Todo político, todo gestor, quer ser aprovado, mas entre o certo e a aprovação, o presidente Michel Temer adotou o certo. Daí a agenda de transformações. E transformar contraria interesses. O presidente Temer, não por acaso, toca a maior pauta de transformações da história. Fizesse ele o estilo populista, tenha certeza de que os números seriam outros. É preciso muita personalidade e brio para não se abalar com pesquisas de momento, além de resiliência para tocar o barco em frente. Assim como também peço a Deus para que continue a iluminar o presidente, o meu trabalho e o país.

Conexão – Essa desaprovação é uma falha de comunicação ou o governo é desastroso mesmo?
Elsinho – Entendo e respeito visões ácidas como essa. Afinal, adoraríamos um mar de brigadeiro, adoraríamos estar vivendo um momento econômico mágico, um novo milagre. Mas não podemos nos esquecer que o presidente Temer recebeu uma bomba atômica e precisou desarmá-la. Nos filmes a gente vê que só funciona cortando os fios certos. O governo enfrentou a maior crise econômica da história brasileira. Não é fácil explicar isso para a sociedade, até porque o brasileiro, com razão, acha inadmissível que a ex-presidente tenha nos jogado no fundo do poço. Infelizmente jogou. E é de lá que iniciamos a nossa volta à superfície. A desaprovação é normal num quadro desses. Estranho seria a aprovação, mas tenha certeza de que virão novidades. O desastre petista já ficou para trás.

Conexão – O que o senhor acha mais difícil: fazer o presidente Michel Temer parecer simpático ou o juiz Sérgio Moro absolver o Lula?
Elsinho – Embora eu possa afirmar aqui que o presidente Temer seja uma pessoa agradável e extremamente educada, ele, como eu já disse, não escolheu o caminho do populismo para governar. O que o Brasil precisa, neste momento, não é de um presidente simpático, é de um presidente comprometido com o país, com a solução dos nossos problemas e que faça o que é preciso ser feito. Reformas como a trabalhista, a fiscal, a do ensino médio e a da previdência já eram consideradas imprescindíveis há muito tempo. Mas nenhum de seus antecessores, por motivos próprios ou impróprios, teve a coragem de propor. E jogaram o país no fundo do poço.
O reconhecimento deve vir sempre como consequência de um trabalho. A vida é assim. E tenho convicção, por tudo que está sendo feito, que ele virá.

Conexão – Muitos marqueteiros, após trabalharem com políticos, juram que nunca mais vão voltar a fazer isso. E o senhor? Pretende continuar no marketing político quando Temer pendurar as chuteiras?
Elsinho – Adoro o que faço. Comunicação pública é algo fundamental. A sociedade tem o direito de saber onde o governo está aplicando o dinheiro dos impostos. As escolas foram inauguradas? O hospital foi concluído? No mundo privado, as empresas a todo instante anunciam suas novidades. E isso é bom. O governo tem que fazer isso, mas com responsabilidade, transparência e verdade. Enquanto eu tiver prazer no que faço ficarei uniformizado.

Conexão – A prisão do casal de marqueteiros de Lula tornou o ofício uma profissão de risco? Vira e mexe o nome do senhor aparece na mídia como agente de possíveis irregularidades ligadas ao governo Temer. Isso não desgasta a imagem pessoal do senhor?
Elsinho – Quando prenderam o diretor de um jornal por homicídio, isso manchou a imagem de todos os jornalistas? Não, claro que não. Quando um médico foi condenado pelo estupro de dezenas de pacientes, isso manchou a imagem de todos os médicos? Claro que não. Quando um empresário é preso na Lava Jato isso mancha a imagem de todos os empresários? Também não. Essa regra vale para quem trabalha com marketing político. Sobre as ilações que saíram nos jornais, já reuni toda a documentação que comprova as prestações de serviço realizadas por minha empresa. Os Batista omitiram a verdadeira relação que tiveram comigo. Só não nos esqueçamos que o tal do Joesley, que fez uma delação fraudada, está preso porque manipulou informações de acordo com seus interesses e mentiu às autoridades.

Conexão – Como marqueteiro, quem o senhor acha que tem mais chance de construir uma campanha de sucesso à sucessão de Temer: Geraldo Alckmin ou João Doria?
Elsinho – A lista de candidatos à sucessão do presidente Temer será extensa, mas você apontou o dedo para uma briga que vai ser boa de ver. De um lado, a política racional, o controle absoluto da emoção. De outro, a política mais emocional, o quebrador de regras. São duas opções com chance. Resta saber qual delas se encaixa mais ao momento do Brasil na hora da urna. Lembre-se: falta um ano ainda, surpresas poderão acontecer.
Conexão- Ainda como marqueteiro, como o senhor explica a posição de Lula nas pesquisas, mesmo com o mundo da Lava Jato desabando sobre a cabeça dele?
Elsinho – O ex-presidente é o único político que se dedica à eleição da hora que acorda à hora que vai dormir. Os outros possíveis candidatos precisam trabalhar e acabam se movimentando com mais dificuldade. Mas, cuidado! Se olharmos as pesquisas com atenção, veremos que o primeiro candidato hoje na preferência do eleitor é o “indeciso”, seguido do “não sei em quem votar”. Lula aparece mesmo em terceiro. Além de correr um grande risco dos processos da Lava Jato o torná-lo inelegível

Conexão – O senhor se apresenta em situações debochadas e criativas nas redes sociais, mostrando-se sempre bem humorado. O que tira seu bom humor?
Elsinho – Ver o meu São Paulo lutando para não cair para a segunda divisão. Mas, mesmo assim, recebo com bom humor os comentários irônicos dos meus amigos. Humor deixa a gente mais leve e mais preparado para a enfrentar a vida.
Conexão – O senhor assume que gosta de coisas sofisticadas e caras. Mas, se tivesse apenas R$ 10 no bolso, o que compraria?
Elsinho – Assim, de bate-pronto, um grande saco de bexigas para o meu neto Gabriel. E iria soprar com ele cada uma delas.

Conexão – Estamos sabendo que o senhor agora é um homem “sem glúten”. Tem gata fitness dividindo o café da manhã com o senhor?
Elsinho – Marketing político é muito tenso. Você sofre junto com o cliente. Tem gente que, quando sofre, emagrece. Eu, se não prestar atenção, engordo. Abri os olhos para isso, até porque não sou mais um jovenzinho, e mudei meus hábitos. Cortei o refrigerante, fiz uma mudança na alimentação, emagreci, tirei a barba. Meu coração, do ponto de vista médico, está perfeito. Do ponto de vista afetivo, aberto e confiante de que na hora certa a “gata fitness” virá. Como tenho dito: que venha com humor, com amor. E que venha logo.

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