Conexão Capivara: Eles se querem, mas as famílias…

Decisões internas do PSB nacional, que por tabela fecham as portas do partido a Geraldo Alckmin, candidato do PSDB ao Planalto, atingem em cheio as estratégias de campanha de dois políticos de grande relevância no xadrez eleitoral de Rio Preto: o ex-preito Valdomiro Lopes (PSB), nome tido como certo na corrida a deputado federal, e o deputado estadual Orlando Bolçone (PSB), que tenta engatar o terceiro mandato. Ambos são aliados de primeira hora do tucano e cultivam há anos este palanque.

Para entender um pouco a conjuntura. Diretrizes traçadas pelo PSB em seu congresso nacional, no último final de semana, determinam que o partido não pode se aliar a nenhum postulante ao cargo de Michel Temer (MDB) que tenha apoiado ou patrocinado reformas como a da Previdência e a Trabalhista. Ou, então, que defenda privatizações de empresas públicas como a Eletrobras e a Petrobras.

Não é novidade para ninguém que o governador vem trabalhando com afinco para manter seu vice, Márcio França (PSB), que assume o Bandeirantes em abril, como aliado na disputa de 2018. Até tentou convencer os tucanos a abrir mão da cabeça de chapa em favor do socialista. Diante da rejeição à ideia dentro do PSDB, o presidenciável vem trabalhando com a expectativa de palanque duplo no Estado que governou e que é seu principal reduto. E os “sentimentos” de França por Alckmin são recíprocos. Mas as “famílias” dos dois lados decidiram criar complicações para o casamento.

Em reportagem assinada pelos jornalistas Allan de Abreu e José Roberto de Toledo na Piauí, França admite o desconforto gerado pela decisão do PSB, que poderia ter cara de “traição” ao padrinho. “Vamos fazer de um jeito que diminua o constrangimento”, afirmou. Dados os rumos adotados por imposição partidária, o vice que logo será titular do cargo terá de colar em postulantes ao Planalto mais à esquerda. Na falta de nomes próprios, os socialistas poderiam avançar rumo ao centro, mas tendo como limite Ciro Gomes (PDT) ou Álvaro Dias (Podemos), por exemplo.

E como isso afeta a vida de Bolçone e Valdomiro? Ambos conduziram seus mandatos nos últimos anos muito próximos ao governador. Bolçone foi aliado leal na Assembleia Legislativa e defensor entusiasmado do nome tucano como o melhor candidato ao Planalto. Sempre fez questão de grudar sua imagem à dele. Procurado pela coluna, Bolçone prefere não polemizar, mas mostra contrariedade. “Nossa preferência é pelo apoio ao governador Alckmin. Vamos tratar desse assunto internamente”, afirmou.

O mesmo ocorre com Valdomiro, embora o ex-prefeito seja bem mais pragmático e nada sentimental quando estão em jogo os interesses políticos. Mesmo quando, na prefeitura, ele tinha um canal direto com Brasília e os governos dos petistas, Valdomiro nunca tirou nenhum dos pés da canoa de Alckmin no Estado.

Ainda que o governador de São Paulo patine em pesquisas nacionais de intenção de voto à Presidência, em São Paulo, e em especial na região, seu palanque é poderosíssimo. E é neste palanque que os dois políticos de Rio Preto sonham estar. E por uma dessas ironias que só rolam na política, Edinho Araújo (MDB), opositor de longa data dos tucanos, vem dando acenos apaixonados rumo a Alckmin. Ou seja, Bolçone e Valdomiro ajudaram a construir e decorar a casa para o casório com Alckmin, mas correm o risco de ver os adversários se instalarem nela.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste sábado (10)

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