Conexão Capivara: Eles na sua TV

Esqueça aqueles filmetes clichês que você muito provavelmente verá hoje na estreia dos candidatos ao governo de São Paulo na propaganda eleitoral de rádio e televisão.
Passada a abertura com apresentação pessoal ao eleitor-telespectador, a expectativa é se o tom altamente agressivo que está sendo visto nos debates, declarações à imprensa e discursos em “palanque” se reproduzirá ao longo dos embates em rede nacional.

Ainda que a briga pelo Bandeirantes, onde o PSDB reinou por mais de duas décadas, não seja uma peça tão indecifrável quanto o que se vê no cenário nacional, e também sem polarização semelhante, o fato é que o quadro atual está mais embolado do que o tucano Joao Doria projetava até pouco tempo atrás.

Ao tirar do colo do governador Márcio França (PSB) legendas como o PP e fechar apoio com siglas como o PRB de Celso Russomano e o DEM do seu vice, o rio-pretense Rodrigo Garcia, o ex-prefeito paulistano acreditava que chegaria a este estágio da disputa na condição de líder absoluto, bastando vender a ideia de vitória no primeiro turno. Foi esta, por exemplo, a tônica adotada em evento em Rio Preto quando a parceria com os democratas foi oficializada um mês atrás.

Para seguir neste intento, bastavam restabelecer o namoro com o interior católico-rural sempre leal ao PSDB e neutralizar o hoje governador Márcio França (PSB), ligando-o à esquerda.

“Mas correndo por fora tinha Paulo Skaf (MDB), revelando um erro enorme de estratégia do Doria. A televisão começa hoje com um empate entre o tucano e o emedebista nas pesquisas, além da possibilidade real de um certo crescimento de França, que tem a máquina na mão e pode herdar o voto de alguns eleitores tradicionais do PT que se sentem órfãos diante da falta de uma candidatura petista de envergadura ”, avalia Fábio Gomes, sociólogo, diretor do Instituto Informa de Pesquisa e autor do livro “Comunicação Dialógica e Reputação Eleitoral”.

Fábio Gomes acredita, no entanto, que levar para a televisão os ataques adotados até agora é arriscado diante do total desencanto, e falta de paciência, do eleitorado em geral com todos os políticos, sem exceção.

“O brasileiro está colocando todos no mesmo pacote. Eu apostaria numa postura propositiva. Esse tom de elevada agressividade, se mantido, pode não ser bem digerido por quem está em casa esperando soluções para problemas reais que sacrifica a população”, completa. Que assim seja.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta sexta-feira (31)

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