Conexão Capivara: Eles entendem, Temer

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Nem Sílvio Santos, nem Ratinho, nem Amaury Jr. Menos ainda as peças publicitárias que invadiram televisão, redes sociais e revistas de grande circulação nacional. O marqueteiro rio-pretense Elsinho Mouco usou todas as ferramentas que dispunha para criar ambiente favorável à Reforma da Previdência, não só de forma a conseguir aprová-la, mas também no sentido de reverter o ranço da opinião pública em relação a Michel Temer (MDB).

Se a intervenção no Rio de Janeiro é, como diz boa parte dos analistas políticos, uma forma “honrosa” de tirar do foco as mudanças nas aposentadorias, uma vez que o governo sabia que não teria os votos necessários para aprová-las no Congresso Nacional, não dá para negar que a saída encontrada está funcionando.

Dhoje Interior

Exemplo sintomático vem dos representantes do empresariado de Rio Preto. Até a decisão presidencial que inverteu abruptamente a agenda de prioridades do governo federal, semana passada, o setor produtivo da cidade, e também políticos aliados a Temer, faziam eco ao argumento de que o Brasil entraria em colapso irreversível se a Reforma não acontecesse ainda no primeiro trimestre de 2018. Que “morreria” sufocado se tivesse de esperar pela nova fauna política que sairá das urnas em outubro, submetida ao crivo do eleitor no pós-Lava Jato.

Mas o tom ficou menos apocalíptico agora. “Entendo que a Reforma da Previdência não foi deixada em segundo plano, mas que foi necessário adiar a discussão. O Rio de Janeiro vive uma situação muito séria, que exige a atenção do governo. Os empresários sabem da importância da Reforma da Previdência, mas também se sensibilizam com a situação da população carioca”, afirma o empresário Marcos Scaldelai, presidente do Lide Rio Preto.

O empresário Olavo Tarraf, um dos principais representes do MCB, contemporiza em relação a Temer, mas critica o Congresso. “O mercado já apostava na não aprovação da Reforma da Previdência. Se aprovada, seria uma boa surpresa, um plus para as previsões econômicas. Adiaremos e aumentaremos o rombo no ajuste fiscal. Uma pena. Os atuais congressistas, de forma geral, estão mais interessados em reelegerem-se para salvar a pele a ajudar o futuro do Brasil. São irresponsáveis e oportunistas, como se esperava. Quanto ao Decreto da intervenção federal, não militar, no Rio de Janeiro, o governo Temer juntou uma medida popular com uma atitude urgente e necessária.”

O presidente da Acirp, Paulo Sader, critica o viés político do debate. “Questões essenciais para o País vão sendo tratadas na base do remendo. Tanto o tema da segurança como o da previdência merecem ser tratadas com menos viés partidário e com mais técnica. Paro o bem do cidadão que sofre com ações paliativas.”

Tal qual o deputado federal Rodrigo Garcia (DEM), que recalibrou o discurso sobre a inversão de pautas prioritárias para o País, o prefeito Edinho Araújo (MDB) mostra menos contundência em relação à urgência da Reforma. “Não considero como populista a decisão tomada pelo presidente Michel Temer para tentar estancar um grave problema que é a segurança pública no Rio de Janeiro. Da mesma forma que continuo convicto da necessidade da Reforma da Previdência. Dessa forma, defendo a realização de um amplo debate para se chegar a uma proposta de consenso sobre o tema.”

Diante da compreensão do empresariado e com uma pauta bem mais simpática à opinião popular, estaria Temer mais próximo de realizar o sonho declarado de Elsinho, que é um presidente competitivo na briga pela reeleição? Parece difícil, mas o cenário atual é pouco propício a apostas de qualquer tipo…

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