Conexão Capivara: Edinho lança Alckmin à Presidência

Foto: Guilherme Batista

Ninguém discorda que Edinho Araújo (PMDB) é daquela cepa rara de político que domina como poucos um palanque tradicional, com discurso e plateia. A fala segue mansa quando conta um bom causo, ganha a verve necessária quando parte para cima do oponente e entonações quase messiânicas na hora de vender o seu peixe.

Pois o prefeito de Rio Preto não poupou nenhum de seus talentos nesta quinta-feira (16) durante a visita do governador Geraldo Alckmin (PSDB) à cidade. Microfone em mãos, ele fez questão em sua fala oficial de desfilar todo o currículo construído pelo tucano ao longo de sua vida pública. Edinho retrocedeu a 1973, em Pindamonhangaba, quando o governador paulista ganhou sua primeira eleição como vereador. E daí partiu para uma viagem no tempo de mais de quatro décadas, citando cada um dos cargos ocupados pelo tucano depois da vereança: prefeito de Pindamonhangaba, deputado estadual, deputado federal, secretário estadual de governo, vice-governador e, enfim, três vezes governador. Ao final de tamanha demonstração de boa memória, ele cravou. “É dessa experiência que o Brasil precisa e não de aventuras.” Pronto. O prefeito de Rio Preto, aliado de Michel Temer, que com a mesma convicção pediu votos para Dilma Rousseff (PT) em 2014, abençoou a campanha de Geraldo Alckmin rumo ao Palácio do Planalto.

Os mais implicantes vão dizer que Edinho é diplomático e, na condição de anfitrião, diz isso a todo político importante que aterrissa por aqui. Afinal, ele também encheu o prefeito paulistano, João Dória, de palavras gentis quando este esteve em Rio Preto para receber honraria da Câmara. Mas desta vez foi diferente. O Edinho que falava era o político que sobe em palanque disposto a mostrar serviço, mandar recado e marcar posição. Até porque, ele sabe que o seu partido não tem a essa altura do campeonato nenhum nome com reais perspectivas de poder no horizonte.

Questionado posteriormente pela coluna se sua fala era apenas um jeito simpático de receber a visita ilustre ou se era empolgação real com o nome do tucano na disputa presidencial do ano que vem, Edinho foi direto ao ponto, outra raridade nesses casos. Afirmou categoricamente que, se depender dele, o PMDB vai caminhar com Geraldo Alckmin na briga pela sucessão de Temer. Eis um arranjo interessante que, se vingar, o colocará lado a lado no palanque com os deputados estaduais Vaz de Lima (PSDB) e Orlando Bolçone (PSB).

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta sexta-feira (17)

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