Conexão Capivara: Edinho banca desgaste e Liszt fica

O prefeito Edinho Araújo (PMDB) tirou o final de semana de chuva para esfriar a cabeça e pensar com calma no “abacaxi” Liszt Abdala, que ele deixou para descascar nesta segunda-feira(8).

Liszt, que já havia dito à coluna e à CBN no sábado que não pediria demissão por iniciativa pessoal, embora esse fosse o melhor dos mundos para Edinho, encarou o papo reto com o chefe firme no discurso de que era inocente no escândalo da Área Azul Digital. Ou seja, que não sabia que empresas de sua mulher e de sua irmã tinham participado de licitação para compra de aplicativo para o projeto.

“Falei a verdade para o prefeito, que não tive nenhuma participação nesta questão. Não tenho como ser responsabilizado por algo que não podia impedir. Além do mais, não houve nenhuma ilegalidade, o que houve foi um desconforto.”

Logo depois da conversa entre os dois, da qual participou o chefe de gabinete, Zeca Moreira, ele mesmo foi encarregado de confirmar a jornalistas que esperavam do lado de fora que tinha convencido o prefeito e que continuava no cargo. Do prefeito, nada de declaração pessoal, nem manifestação contundente de apoio, com fotografia lado a lado, do tipo “estamos juntos para o que der e vier”. Apenas uma nota oficial protocolar.

“O prefeito Edinho Araújo ouviu as explicações do caso envolvendo a carta-convite da Emurp para compra de aplicativos da Área Azul. Considerou satisfatórias as explicações e informa que secretário continua merecendo toda a confiança do governo”, foi o teor apresentado pela assessoria de comunicação da prefeitura, que concluiu: “O prefeito deixa claro que aguarda com tranquilidade as investigações em curso”.

No caso, ele se refere a duas investigações específicas. A do Ministério Público, que abriu inquérito para apurar a denúncia de irregularidade na licitação. Tudo começou quando se tornou público que a empresa vencedora, a Innovare, é de propriedade de uma então funcionária da Emurb, Roberta Ferreira Nunes Costa, e do marido dela, Wagner Costa. Roberta foi demitida e levou junto Vânia Pelegrini, que presidia a Empresa Municipal de Urbanismo. Mas com a história dos familiares de Liszt, o escândalo ganhou fôlego. Nesta segunda-feira ficou definido que na esfera do MP o caso será conduzido pelo promotor Cláudio Santos de Moraes.

A outra investigação vem da Câmara. O vereador Fábio Marcondes pediu CPI para apurar o caso e já conseguiu nove assinaturas. Precisava de seis. O documento deverá ser protocolado no final do recesso parlamentar. Marcondes afirma não ter dúvidas de que a licitação, por meio de carta-convite, foi combinada entre as empresas, o que, se confirmado, complica bem a vida de Liszt. Edinho, por sua vez, segue com o desgastômetro ativado. Sua postura é clara. Liszt fica se nada mais aparecer debaixo deste tapete e até se descobrir o real estrago que o pessoal de Marcondes e do MP pode produzir.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta terça-feira (9)

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