Conexão Capivara: Duas vezes Temer?

Se Brasília fosse um gigantesco baile funk ou um animado pagodão, diríamos que o rio-pretense Elsinho Mouco está “podendo” e “causando”. As duas expressões resumem com exatidão o protagonismo que o marqueteiro do presidente Michel Temer assumiu na imprensa e nas redes sociais nos últimos dois dias.

Primeiro foi a notícia de que Elsinho, mesmo sem ser servidor público, ganhou uma sala em espaço privilegiado no Palácio do Planalto para ficar pertinho do chefe. Concomitantemente, uma entrevista dele ao “Congresso em Foco” teve o efeito de bituca de cigarro em palha de cana seca. Nas falas incendiárias, o rio-pretense assume a missão de viabilizar a candidatura de Michel Temer à reeleição. Sim, o arquivamento da denúncia de Rodrigo Janot contra o presidente teve o poder de inebriar o pessoal lá em cima.

Dhoje Interior

O plano deste filho ilustre da terra das capivaras já tem estratégia desenhada. Fazer de Temer a vítima de uma grande conspiração para tirá-lo do poder e, assim, reverter a impopularidade do presidente com maior rejeição na história do País, com apenas 3% de aprovação. “Quando cair a trama, quando for totalmente revelada a armação que o presidente Michel Temer sofreu, com certeza o bom/ótimo e regular vão chegar a 50% dos brasileiros a partir de abril ou maio”, disse ele ao “Congresso em Foco”.

Vão colaborar ainda para essa fenomenal reviravolta, nos planos do rio-pretense, a melhora nos índices da economia, a forte base do presidente no Congresso (onde o “é dando que se recebe” mostra-se mais vigoroso que nunca) e a presença do marido de Marcela na rua, com tudo calculadamente exposto no universo virtual. A aprovação das reformas, claro, traria o apoio do empresariado que, até agora, não achou um candidato com cara de campeão nas urnas para chamar de seu.

Para o marqueteiro, é tudo simples assim. Falta, agora, ele combinar com o eleitorado, que ainda não viu os “bons números da economia” se reverterem em empregos, colocando fim ao drama de uma massa de quase 13 milhões de desempregados. Ele também aposta na diagnosticada memória curta do brasileiro, que até lá já teria esquecido aquela desconfortável conversa de Temer com um dos irmãos Batista. É esperar para ver. Por enquanto, nem o prefeito Edinho Araújo (PMDB), carne e unha com o presidente da República, se arrisca a comentar o sonho dourado do otimista Elsinho.

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